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Acre tem produtividade de mandioca 47% acima da média brasileira, aponta estudo

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 10/08/2026 às 08:00

O Acre aparece entre os estados da Amazônia Legal com melhor produtividade de mandioca, segundo o estudo Agricultura na Amazônia Legal, elaborado a partir de dados do IBGE, Incra, Embrapa e outras bases oficiais. Em 2024, o estado produziu cerca de 496 mil toneladas de mandioca, com rendimento médio de 22,7 toneladas por hectare, acima da média brasileira, de 15,46 toneladas por hectare.

O desempenho coloca o Acre ao lado de Paraná, Mato Grosso do Sul e Rondônia entre os estados que ultrapassaram a marca de 20 toneladas por hectare naquele ano. O relatório aponta que o resultado acreano está relacionado a uma cadeia baseada principalmente na produção de farinha artesanal e na valorização da origem territorial do produto.

Um dos exemplos citados é a Indicação Geográfica da farinha de Cruzeiro do Sul, construída ao longo de aproximadamente 12 anos. O processo envolveu delimitação da área, georreferenciamento de casas de farinha, definição de regras de uso, boas práticas e organização dos produtores. Entre 2019 e 2020, a Embrapa analisou 79 amostras de farinha e, no terceiro ciclo de monitoramento, 70% foram classificadas como Tipo 1, ante 13% em levantamento anterior.

O estudo também cita uma valorização comercial associada ao processo de qualificação. Segundo dados da Embrapa, o preço da saca de 50 quilos da farinha de Cruzeiro do Sul passou de aproximadamente R$ 50 para R$ 120. Os autores, porém, fazem uma ressalva: o dado demonstra valorização comercial, mas não permite separar o efeito específico da Indicação Geográfica de outros fatores de mercado.

Além da produção agrícola, o Acre possui uma participação expressiva na estrutura de assentamentos da Amazônia Legal. Dados do Incra utilizados no estudo apontam que, em 2026, o estado tinha 168 projetos de assentamento, sendo 116 tradicionais e 52 diferenciados.

Esses projetos reuniam 35.786 famílias e ocupavam uma área total de aproximadamente 5,56 milhões de hectares. Nos assentamentos tradicionais, eram 24.327 famílias em 1,82 milhão de hectares. Já os assentamentos diferenciados reuniam 11.459 famílias em 3,74 milhões de hectares.

O relatório mostra que a realidade dos pequenos produtores amazônicos ainda é marcada por dificuldades de acesso a assistência técnica, crédito, transporte e mercados. Na região Norte, apenas cerca de 10% dos estabelecimentos rurais recebiam assistência técnica em 2017, enquanto entre agricultores familiares o índice era de 8,8%. O acesso ao crédito também era restrito: somente 9% dos agricultores familiares da região Norte tinham acesso a financiamento, contra 29% no Sul.

Para os autores, o caso do Acre mostra que a valorização da qualidade e da origem de um produto pode criar incentivos para melhorar a produção. No caso da farinha de Cruzeiro do Sul, a Indicação Geográfica ajudou a estabelecer padrões de produção e controle de qualidade, criando uma identidade comercial para o produto.

O estudo defende que políticas voltadas à agricultura familiar amazônica não devem se limitar à oferta de crédito. É necessário combinar assistência técnica, compradores, infraestrutura, processamento, logística e regularidade de mercado para que o aumento da produtividade se transforme efetivamente em renda para os produtores.

Para o Acre, a experiência da farinha de Cruzeiro do Sul é apresentada como um exemplo de como qualidade, organização dos produtores e valorização territorial podem contribuir para agregar valor à produção rural, enquanto a produtividade de 22,7 toneladas por hectare coloca o estado entre os melhores desempenhos da Amazônia em mandioca em 2024.

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