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Advogada do Banco Master no Acre é acusada de falsificação de provas

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 04/09/2026 às 08:22

Os jornais Metrópoles e Poder360 afirmam em reportagens que a advogada Michelle Santos Allan de Oliveira, que atua em processos envolvendo o Banco Master na Justiça do Acre, é uma das três profissionais acusadas de suposta manipulação de documentos e produção de provas fraudulentas em uma disputa judicial decorrente de um divórcio envolvendo patrimônio de pelo menos R$ 160 milhões. O ac24horas ressalta, no entanto, que as acusações feitas contra Michelle Santos Allan de Oliveira na Bahia não têm relação conhecida com sua atuação nos processos envolvendo o Banco Master no Acre.

As acusações, segundo os portais em agosto e setembro de 2025, foram levadas à Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB/BA) pelo empresário Lucas Queiroz Abud, ex-marido de Fabiana Durand Gordilho. Além de Michelle, também foram alvo da representação os advogados Ana Patrícia Dantas Leão e Eugênio de Souza Kruschewsky. Os três advogados negam irregularidades e afirmam ser alvo de uma campanha de intimidação em razão da defesa exercida em favor da cliente.

No Acre, uma investigação feita pelo jornalista Whidy Melo, do ac24horas, identificou a presença do Banco Master em pelo menos 92 processos de primeiro grau no Tribunal de Justiça do Acre e em outros 26 registros processuais no segundo grau.

A consulta pelos dados da própria Michelle Santos Allan de Oliveira no sistema judicial também aponta 136 processos de primeiro grau e 35 de segundo grau associados ao nome da advogada. Entre os números encontrados na pesquisa pelo nome da profissional estão processos que coincidem com o levantamento específico realizado pelo ac24horas sobre o Banco Master.

Representação na OAB

Segundo reportagem publicada pelo Poder360 em 21 de agosto de 2025, a representação foi protocolada na OAB da Bahia no dia anterior. O empresário pediu a abertura de processo ético-disciplinar contra os três advogados. A acusação está relacionada a uma disputa judicial posterior ao divórcio de Lucas Queiroz Abud e Fabiana Durand Gordilho.

De acordo com o Metrópoles, o casal se divorciou consensualmente em 2019. Dois anos depois, os advogados da ex-esposa passaram a questionar o acordo, sustentando que ele teria sido assinado sob coação e que parte do patrimônio do empresário teria ficado fora da divisão. Na representação, Lucas Abud acusa os três profissionais de apresentarem informações e documentos supostamente falsos ou manipulados durante a disputa judicial.

Uma das alegações diz respeito à empresa Viva Ambiental e Serviços Ltda. Segundo a reportagem do Metrópoles, os advogados teriam sustentado que a empresa foi criada durante o casamento. A documentação apresentada pelo empresário, porém, indicaria que a companhia foi constituída em 2003, enquanto o casamento ocorreu em 2006.

Outro ponto questionado na representação envolve uma alegação de que a Justiça já teria quebrado os sigilos bancário e fiscal do empresário em outro processo, que tramita em São Paulo. Segundo a acusação, essa informação teria sido utilizada para defender a desnecessidade da manutenção do sigilo no processo baiano.

De acordo com o Metrópoles, a documentação apresentada pelo empresário indicaria que a Justiça paulista havia solicitado apenas informações sobre o endereço dele. A representação afirma que, posteriormente, os advogados reconheceram ter havido equívoco e sustentaram que a quebra de sigilo teria sido parcial.

Alegação de falsificação de provas

A acusação mais grave relatada nas reportagens envolve supostas provas de violência doméstica. Segundo a representação, os advogados apresentaram fotografias da cliente com lesões no rosto e documentos médicos para sustentar que ela teria sofrido violência nos Estados Unidos antes da assinatura do acordo de divórcio. O empresário, porém, apresentou registros da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos para demonstrar que não estaria no país na data apontada inicialmente para a suposta agressão.

De acordo com a representação reproduzida pelo Metrópoles, depois de confrontados com os documentos, os advogados alegaram que havia ocorrido um “erro na leitura da data”. A defesa do empresário sustenta que o episódio demonstraria uma tentativa deliberada de induzir o Poder Judiciário ao erro.

O Poder360 informou que a representação pede a apuração de possíveis infrações relacionadas à deturpação de fatos e documentos, à prestação de concurso para fraude processual e à atuação de má-fé. As sanções previstas no âmbito disciplinar da advocacia podem variar de censura à suspensão do exercício profissional, caso eventuais infrações sejam comprovadas.

Advogados negam irregularidades

Os três advogados já contestaram publicamente as acusações. Em nota conjunta divulgada ao Metrópoles, Michelle Santos Allan de Oliveira, Ana Patrícia Dantas Leão e Eugênio de Souza Kruschewsky afirmaram que representam Fabiana Durand Gordilho em uma ação de produção antecipada de provas que tramita há mais de quatro anos.

Os profissionais sustentaram que passaram a ser alvo de medidas adotadas pelo ex-marido da cliente após a quebra do sigilo fiscal dele no processo e classificaram as acusações como uma tentativa de cercear o exercício da advocacia.

Na manifestação, os advogados afirmaram que as notícias sobre a representação fazem parte de uma campanha para atingir sua honra profissional e “criminalizar a advocacia”. Também sustentaram que as provas existentes no processo são contundentes, mas não poderiam ser divulgadas em razão do sigilo judicial. “Estamos sendo alvo de uma campanha persecutória apenas por exercermos a atividade advocatícia, sempre de maneira íntegra, em favor desta mulher”, afirmaram os profissionais na manifestação reproduzida pelo Metrópoles.

Ao Poder360, Ana Patrícia Dantas Leão classificou as alegações como uma tentativa de intimidação. Eugênio de Souza Kruschewsky afirmou que não houve adulteração de documentos e disse que as acusações buscavam desviar o foco da discussão sobre a divisão patrimonial. Na ocasião, o veículo informou não ter conseguido localizar Michelle Santos Allan de Oliveira para comentar individualmente as acusações.

Inscrição principal é na Bahia

Procurada pelo ac24horas, a assessoria da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre informou que Michelle Santos Allan de Oliveira possui inscrição suplementar na OAB/AC. Conforme a informação repassada pela entidade, a advogada não possui inscrição originária no Acre. Sua inscrição principal está vinculada à OAB da Bahia.

A assessoria explicou que, com a virtualização dos processos judiciais, é comum que advogados mantenham inscrições suplementares em outros estados onde possuem atuação profissional ou processos, o que permite o exercício regular da advocacia também nessas jurisdições.

Segundo as informações do Cadastro Nacional dos Advogados repassadas pela assessoria da OAB/AC, além do Acre, Michelle Santos Allan de Oliveira possui inscrições suplementares em Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo, e em outros estados do país.

OAB/BA não informa andamento por causa de sigilo

O ac24horas também procurou o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB/BA) para confirmar a existência do procedimento ético-disciplinar citado nas reportagens e obter informações sobre o atual andamento do caso, incluindo a possibilidade de arquivamento ou continuidade da investigação.

Em resposta ao ac24horas, a Secretaria do órgão informou que não poderia fornecer informações sobre eventual processo em razão do sigilo que recai sobre procedimentos ético-disciplinares. “A Secretaria informa que pelas regras do sigilo que recai sobre o processo ético-disciplinar, nos termos do art. 72, § 2º EAOAB, só podemos disponibilizar informações/acesso para quem é parte ou pessoa devidamente habilitada nos autos através de procuração protocolada”, informou Thais Cardoso, em resposta encaminhada à reportagem.

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