O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) fez, nesta terça-feira (8), críticas à atual gestão estadual e apresentou uma série de denúncias sobre a situação dos servidores públicos. As declarações ocorreram durante agenda com representantes da Frente Sindical, em Rio Branco.
Entre os principais pontos abordados pelo candidato estão a suposta defasagem salarial de categorias do funcionalismo, falta de capacitação, ausência de atendimento psicológico para segmentos submetidos a alto desgaste emocional e alegações de assédio moral e perseguição política.
Segundo Alan Rick, o servidor público precisa ser valorizado e ter condições adequadas para desempenhar suas funções.
“Eu vejo hoje categorias com décadas de defasagem salarial, sem treinamento, falta de capacitação e falta de atendimento psicológico em segmentos onde o desgaste emocional é brutal.”
O candidato afirmou ainda que a falta de valorização interfere diretamente na motivação dos servidores e, consequentemente, na qualidade dos serviços oferecidos à população.
“Quando o servidor está desmotivado, e eu falo isso porque sou filho de uma ex-servidora pública, agora aposentada, servidor não valorizado, servidor que não tem perspectiva de avanço na carreira, de capacitação, esse servidor é desmotivado.”
Reajuste e planos de carreira
Durante o encontro, Alan Rick afirmou que, caso seja eleito, pretende estabelecer diálogo permanente com as categorias do funcionalismo e buscar a recuperação das contas públicas para possibilitar reajustes salariais e atualização dos planos de cargos, carreiras e remuneração.
“Nosso governo vai dialogar com todas as categorias, vai buscar recuperar as contas públicas para poder retomar esses planos de carreira, retomar o reajuste dos servidores. São eles, os servidores públicos, que levam o Estado nas costas.”
O candidato também defendeu responsabilidade fiscal e afirmou que pretende ampliar a capacidade de arrecadação sem aumentar impostos.
Críticas à contratação de cargos comissionados
Alan Rick também criticou o volume de cargos comissionados na administração estadual. Segundo ele, o Estado estaria deixando de convocar candidatos aprovados em concursos públicos enquanto amplia a contratação de cargos de livre nomeação.
O candidato citou ainda uma representação apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), relacionada à contratação de mais de 1,6 mil cargos comissionados.
“Nós estamos solicitando a alocação da folha de ponto para saber se esse pessoal está trabalhando mesmo ou se estão só fazendo campanha. Sabe qual é o impacto disso? R$ 7 milhões por mês.”
Alan afirmou que a situação precisa ser investigada pelos órgãos de controle e questionou a prioridade dada às contratações em detrimento da convocação de servidores aprovados em concursos.
Acusações de perseguição política
O candidato também fez acusações de suposta perseguição contra servidores públicos que não apoiariam politicamente a atual gestão.
“Uma perseguição implacável dos servidores públicos, que eu nunca vi na minha vida. E sabe o que me causa mais estranheza? A maioria dos nossos servidores está apavorada, tem medo de denunciar.”
Alan Rick afirmou ainda que servidores comissionados sofreriam pressão para participar de atividades políticas e pedir votos para candidatos ligados ao governo.
“Comissionado que não for balançar bandeira, que não for pedir voto para candidato para a governadora, ele é sumariamente demitido.”
As declarações foram feitas pelo candidato durante o encontro com representantes sindicais e representam acusações políticas contra a atual administração.
Críticas à situação financeira do Estado
Alan Rick também afirmou que o Acre enfrenta dificuldades orçamentárias e citou o déficit previdenciário e o crescimento das despesas com pessoal como fatores que, segundo ele, comprometem a capacidade de investimento do Estado.
“Eu vejo que hoje o nosso Estado enfrenta um dilema. Um governo que não tem a capacidade de atrair investimento, mesmo com a capacidade que nós temos hoje de fazer financiamento.”
O candidato declarou ainda que, caso eleito, receberá um Estado em situação financeira delicada e terá como uma das prioridades reorganizar as contas públicas.
Acusações envolvendo pressão sobre empresários
Durante o discurso, Alan Rick também fez críticas à relação do governo com empresários que possuem contratos e pagamentos pendentes com o Estado. Ele afirmou que alguns empresários teriam procurado a Polícia Federal para denunciar supostas irregularidades.
Em uma das declarações mais contundentes, o candidato citou indiretamente o marido da governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis, utilizando o apelido “Janjo”, e afirmou que haveria cobrança de percentual sobre valores devidos a empresas.“O Estado não paga para forçar o empresário a buscar o diálogo, na Casa Civil, lá com o Janjo. Vamos falar a verdade? Com o Janjo. E aí o Janjo cobra 50% do valor. A denúncia está feita na Polícia Federal”, declarou.
Alan Rick afirmou que espera que as denúncias sejam apuradas pelos órgãos competentes.“Ainda bem que alguns empresários tiveram coragem de fazer. Porque é triste o que está acontecendo hoje. Esse é o governo que deixa de fazer reposição salarial”, encerrou.

