Uma equipe de alunos do Colégio Militar Estadual Tiradentes (CMET), em Rio Branco, conquistou o título da Olimpíada Estadual de Robótica e agora se prepara para representar o Acre na etapa nacional da competição, marcada para o dia 23 de novembro, em João Pessoa (PB). Para participar da disputa, os estudantes buscam apoio financeiro e estimam precisar de aproximadamente R$ 30 mil para custear passagens, hospedagem, alimentação e deslocamento.
Formada pelo capitão Matheus Ferreira, co-capitão Gabriel Carvalho, competidora Thaís Amim e competidor Lohan Lima, com orientação do professor orientador de Robótica do CMET, Neto Albuquerque, a equipe conquistou um resultado considerado inédito pelos estudantes. Segundo eles, desde a criação da competição no Acre, nenhuma escola pública havia sido campeã no nível 2 da disputa.
Em entrevista ao portal A GAZETA, o capitão da equipe explicou que, para chegar ao título, os alunos utilizaram espaços da própria escola, como sala de aula, laboratório de informática e auditório. A preparação também exigiu que os integrantes abrissem mão de parte das férias para trabalhar no desenvolvimento e funcionamento do robô.
“Foi uma participação inédita. Desde a criação da competição aqui no Acre, nunca tivemos uma escola pública campeã no nível 2, desbancando o Instituto Federal”, relatou Matheus Ferreira.
Robô simula operação de resgate
De acordo com o professor orientador Neto Albuquerque, a equipe é formada por quatro estudantes, com funções divididas entre programação e estrutura do robô. O capitão e o co-capitão são responsáveis pela programação, enquanto os outros dois competidores auxiliam na estrutura e na preparação para a pista.
A competição da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) busca desenvolver conhecimentos de robótica, programação, raciocínio lógico e resolução de problemas. Na modalidade prática de resgate, disputada pelos estudantes, os participantes precisam construir e programar um robô autônomo para cumprir uma missão inspirada em situações de emergência.
Os alunos do Tiradentes construíram um robô capaz de seguir uma linha em uma pista com obstáculos e passar por uma área de resgate, identificando e retirando as chamadas “vítimas” de situações de perigo.
“Eu como orientador presenciei de perto a força de vontade deles. Essa conquista representa o esforço e a dedicação da equipe como um todo, eu fico muito orgulhoso em ver os meus alunos conquistarem a medalha de ouro e representar o estado do Acre na fase nacional da OBR”, afirmou Neto.
Agora, a rotina de preparação para a etapa nacional é dividida entre os estudos e os treinamentos. Os estudantes passam as manhãs no colégio e, às segundas, quartas e sextas-feiras, seguem para o Instituto Federal do Acre (Ifac), onde têm acesso ao laboratório de robótica para aprimorar o projeto.
Busca por apoio
Para conseguir participar da etapa nacional, a equipe estima que precisará de aproximadamente R$ 30 mil. O valor, segundo os estudantes, foi calculado pela coordenação e inclui despesas com passagens de ida e volta, hospedagem, alimentação e locomoção.
O professor Neto Albuquerque explica que, neste momento, a equipe aguarda apoio financeiro para viabilizar a viagem e a hospedagem em João Pessoa.
“A próxima etapa seria a nacional, competir em João Pessoa para representar o estado do Acre. A equipe necessita de subsídio financeiro e patrocínio para ajudar nos gastos da viagem e da hospedagem. Toda ajuda é bem-vinda e desde já a equipe agradece”, afirmou.
Segundo o professor, a inscrição dos estudantes na OBR foi realizada oficialmente pela própria escola. Ele foi responsável por inscrever a equipe na plataforma da competição em 2026, utilizando o nome CMET, em referência ao Colégio Militar Estadual Tiradentes.
“O processo de inscrição foi pela escola, eu, professor orientador da Robótica do Colégio Militar Estadual Tiradentes, inscrevi os alunos na plataforma da OBR 2026. O nome da equipe é CMET, resolvemos colocar o nome da escola, mas, obviamente, não representamos apenas a escola, e sim o estado do Acre”, explicou.
Em relação ao apoio financeiro, o professor informou que já foi encaminhado um pedido formal à Secretaria de Estado de Educação (SEE). Segundo ele, o ofício foi assinado pela diretora do colégio, Major Maria Ivanise, e enviado pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI) ao secretário de Educação, Reginaldo Prates. A equipe aguarda agora o retorno da Secretaria.
Sonho de chegar à Alemanha
A etapa nacional é ainda mais importante porque pode abrir caminho para uma competição internacional. Caso conquistem o título em João Pessoa, os estudantes poderão se classificar para a etapa mundial, prevista para ocorrer na Alemanha, em 2027.
Para a equipe, representar o Acre nacionalmente e buscar uma vaga na competição mundial é também uma oportunidade de mostrar o potencial dos estudantes da rede pública.
Orgulho da família
Para Fabrício Rodrigues Ferreira, pai de Matheus e servidor público, a conquista representa mais do que um resultado em uma competição. Ele afirma sentir orgulho do filho e vê na trajetória do estudante uma demonstração da importância do incentivo familiar.
“Além de muito orgulho, é a demonstração de que os estudos e o incentivo como pai podem proporcionar que meu filho consiga realizar os seus sonhos”, afirmou.
Fabrício também destacou a evolução do filho desde a competição do ano passado, quando a equipe terminou em terceiro lugar.
“Ele entendeu que quanto mais se empenha, mais rápido se alcançará o sonho desejado. Portanto, quanto ao seu futuro, deixo abertas as escolhas dele. Minha função é confiar e continuar proporcionando os meios para que ele consiga chegar onde quer”, completou.

