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Doença de Huntington é identificada em municípios do interior do Acre

Um levantamento inédito realizado pela Associação Brasil Huntington (ABH) identificou casos da Doença de Huntington (DH) nos municípios acreanos de Acrelândia e Assis Brasil. Os dados fazem parte do primeiro mapeamento nacional da doença conduzido por uma organização da sociedade civil no país, que reuniu informações de 608 municípios brasileiros, distribuídos pelas cinco regiões do território nacional.

Na Região Norte, o Acre aparece ao lado de outros três estados que também registraram municípios com casos identificados. No Amazonas, a pesquisa mapeou Amaturá, Anori, Jutaí e Manaus. No Pará, estado que concentra o maior número de municípios da região, foram identificados Ananindeua, Belém, Bonito, Limoeiro do Ajuru, Marabá, Monte Alegre, Palestina do Pará, Parauapebas, Santarém, São Miguel do Guamá e Tomé-Açu. Já em Rondônia, aparecem Cacoal, Ji-Paraná, Porto Velho, Rolim de Moura e Vilhena, enquanto no Tocantins foram registrados Ananás, Gurupi, Miracema do Tocantins, Palmas e Ponte Alta do Tocantins.

A Doença de Huntington é uma condição genética, hereditária e neurodegenerativa que compromete o sistema nervoso central. Seus sintomas motores, cognitivos e psiquiátricos costumam surgir entre os 30 e 50 anos, embora casos em crianças e idosos também sejam registrados.

A causa é uma mutação no gene responsável pela produção da proteína huntingtina, que leva à degeneração progressiva de células nervosas em uma região do cérebro chamada gânglios da base.

A idade média das pessoas com DH mapeadas é de 52 anos, e 82% delas já apresentam sintomas da doença. Dois terços dos participantes da pesquisa desconhecem seus direitos previdenciários, e apenas 26% recebem algum tipo de auxílio governamental. Mais da metade das famílias, 56,9%, relatou reações negativas ao receber o diagnóstico, incluindo desconforto, medo e discriminação por parte de terceiros.

O levantamento também mostra que o SUS é a principal porta de entrada para internações, consultas de clínica geral e psiquiatria, sessões de fisioterapia e exames laboratoriais dos pacientes com DH.

Já serviços como psicologia, fonoaudiologia e exames de imagem costumam ser pagos diretamente pelas famílias, o que evidencia lacunas na cobertura pública para essas especialidades. Quanto aos cuidadores, o perfil mapeado é majoritariamente feminino, com 84% de mulheres e idade média de 48 anos. Três em cada quatro cuidadores nunca haviam exercido essa função antes de assumir o cuidado de um familiar com a doença.