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El Niño provoca ‘virada’ no clima e deve castigar o Acre com seca mais longa, diz previsão

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: Contilnet. 02/09/2026 às 10:45

O Acre deve enfrentar um período mais seco e quente nos próximos meses, segundo a terceira edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgada nesta terça-feira (1º). A previsão para o trimestre de setembro a novembro aponta chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal na região, cenário que pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.

O boletim foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Nível do Rio Acre é preocupante/Foto: Marcos Vicentti/Secom

El Niño pode ser muito forte

De acordo com o documento, as condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026 e os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve permanecer pelo menos até o início de 2027.

Para o trimestre setembro-outubro-novembro, a probabilidade de ocorrência de um evento classificado como muito forte é superior a 90%.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) também estima 69% de probabilidade de que o El Niño de 2026/2027 seja o mais intenso já registrado desde 1950.

A intensidade do fenômeno aumenta a preocupação com os efeitos sobre diferentes regiões brasileiras, que podem enfrentar condições climáticas bastante distintas.

Acre pode ter seca prolongada

Na Amazônia Legal, o boletim aponta previsão de chuvas abaixo da média no Acre, além de outros estados como Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas e no norte de Mato Grosso.

Ao mesmo tempo, as temperaturas devem ficar acima da média em toda a região.

Para o Acre, a combinação entre menos chuva e temperaturas mais elevadas pode favorecer o prolongamento da estação seca e diminuir a disponibilidade hídrica. O cenário também pode aumentar a vulnerabilidade da vegetação e favorecer a ocorrência e propagação de queimadas e incêndios florestais.

O alerta ganha importância durante o período de estiagem, quando a redução da umidade e a falta de chuva podem deixar áreas de vegetação mais suscetíveis ao fogo.

Cenário é diferente no Sul

Enquanto o Acre e outras áreas da Amazônia devem enfrentar condições mais secas, a previsão aponta um cenário oposto para a região Sul.

Para setembro, outubro e novembro, há maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, o excesso de precipitação pode elevar o risco de chuvas intensas e inundações.

O boletim destaca que os impactos do El Niño não serão iguais em todo o país. Enquanto algumas regiões podem registrar seca, calor e redução da disponibilidade de água, outras podem enfrentar excesso de chuva, cheias e movimentos de massa.

Monitoramento deve continuar

O Painel El Niño recomenda o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, climáticas e hidrológicas, especialmente diante da possibilidade de intensificação do fenômeno nos próximos meses.

Para o Acre, a previsão reforça a necessidade de atenção aos níveis dos rios, disponibilidade de água, temperaturas e risco de queimadas durante a continuidade do período seco.

O monitoramento das condições climáticas e dos alertas emitidos pelos órgãos oficiais deve ser mantido ao longo dos próximos meses, já que a intensidade e os impactos do fenômeno podem variar regionalmente.

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