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Governo está prestes a receber autorização para retirar escombros da ponte de Sena

O Governo do Estado do Acre está prestes a receber a autorização oficial do Instituto de Criminalística (IC) — órgão pericial ligado à Polícia Civil do Estado do Acre (PCAC) — para dar início à remoção parcial dos escombros da ponte Padre Paolino Baldassari. A estrutura desabou no dia 5 de junho em Sena Madureira, bloqueando o canal do rio e afetando o transporte hidroviário e a rotina da comunidade local.

A informação foi confirmada com exclusividade à reportagem do ContilNet nesta terça-feira (1º) pelo delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin. Segundo o delegado, o laudo pericial que delimitará a área liberada para remoção deve ser encaminhado formalmente nos próximos dias.

“O Instituto [de Criminalística] vai oficializar isso aí para a gente poder comunicar os órgãos sobre a liberação. Em breve vai poder liberar aquilo ali. E aí vai depender de um estudo técnico das técnicas que vão ser usadas também”, afirmou o delegado-geral Pedro Buzolin.

A desobstrução focará principalmente na seção central do rio, trecho crítico que vem impedindo a navegação de canoas e pequenas embarcações utilizadas por moradores e ribeirinhos da região. No entanto, a operação não será simples: mesmo com o aval da Polícia Civil, a equipe responsável precisará adotar rigorosos procedimentos técnicos para não comprometer os elementos estruturais que ainda passam por análise pericial.

Pedro Buzolin

Pedro Buzolin é delegado da Polícia Civil/Foto: Reprodução

“Por mais que esteja liberado, vai ter que retirar sem danificar as outras estruturas que ainda precisam ser periciadas”, explicou Buzolin. “Além da nossa liberação da parte que pode ser retirada, depende de um estudo técnico de como realizar essa retirada sem danificar as partes que ainda precisam ser periciadas”, continuou. 

O delegado enfatizou que a liberação é rigorosamente delimitada. Caso a equipe de engenharia encarregada da retirada avalie que precisa mover peças ainda não liberadas, o procedimento terá que ser interrompido.

As partes da ponte que não estão no leito do rio não poder ser retiradas até que a perícia seja concluída/Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

“Se a equipe técnica que vai fazer a retirada falar: ‘Ó, para retirar eu preciso retirar isso aqui primeiro’ e isso ainda precisar ser periciado, aí também não tem como tirar”, detalhou.

Complexidade da perícia e exames especializados

A apuração sobre as causas do colapso da ponte Padre Paolino Baldassari é considerada uma das investigações de engenharia mais complexas da história recente do estado. Pela dimensão do desastre e pela ausência de maquinário específico para periciar estruturas desse porte na região, novos exames aprofundados dependem da contratação de empresas técnicas especializadas de fora do estado.

“É um caso complexo. A gente não tem equipamento para fazer a perícia”, pontuou o delegado. “É uma coisa que ninguém espera que aconteça, e não tem como você estar preparado para esse tipo de situação porque não vale a pena um investimento tão alto para talvez algum dia acontecer”, acrescentou. 

Ponte de Sena era o fruto de um sonho de décadas da população do Segundo Distrito de Sena/Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual

Questionado sobre o andamento e os prazos para a contratação da empresa técnica que fará as análises laboratoriais dos materiais recolhidos, Buzolin informou que o processo administrativo segue em andamento, ainda sem data fixada para conclusão.

“A contratação da empresa ainda não [aconteceu]. Não tem prazo disso ainda”, declarou. “Mas tem muita coisa para ser periciada até com relação à análise do material que nós já possuímos. É um processo muito extenso para ser analisado”, salientou. 

Construtora diz que ainda não sabe quem vai tirar restos de ponte 

O bloqueio do leito do Rio Iaco pelos restos da ponte Padre Paolino Baldassari tornou-se ponto de discussão em Sena. Em entrevista concedida durante vistoria técnica no local, em junho, os sócios da Construtora Cidade, Roberto Santos e Raul Santos, afirmaram que o início da limpeza e a desobstrução do manancial — essencial para a navegação local — dependem de um acerto formal com o Governo do Estado e da apuração pericial do acidente.

Empresários responsáveis pela obra foram até o local alguns dias depois da tragédia/Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual

O empresário Roberto Santos explicou que a responsabilidade e a logística da operação ainda serão definidas. Uma agenda emergencial deve selar os rumos da ação.

 “Nós vamos ter uma reunião com a governadora, com a pessoa do Deracre e nós vamos resolver internamente lá o que que vai ser possível fazer, tanto o Deracre como nós, nós vamos conversar. [Se é a empresa que vai retirar] não sei, nós vamos conversar”, declarou Roberto.

Roberto Santos é dono da Construtora Cidade/Foto: Gleison Júnior/Orna Audiovisual

Roberto lamentou que o primeiro contato com a atual gestão estadual ocorra sob circunstâncias trágicas. “É a primeira vez, a gente nem conhece a governadora, né? É uma situação ruim. Nós passamos por vários governadores aqui e nós vamos conversar e, no diálogo, nós vamos ver o que vai acontecer”, emendou.

Complementando o posicionamento do colega, o outro sócio da empreiteira, Raul Santos, indicou que a pressa para limpar a área esbarra na necessidade técnica de preservar as evidências para entender o colapso da obra, avaliada em quase R$ 40 milhões.

“Nós não sabemos [quem retira] porque nós temos que determinar as causas, ok? A causa do sinistro tem que ser levantada”, argumentou Raul.

Raul Santos é sócio do irmão na construtora/ Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

Apesar da cautela técnica, o empresário fez questão de frisar que há um interesse mútuo entre a iniciativa privada e o poder público para desimpedir o tráfego fluvial o quanto antes.

“Mas isso eu posso garantir que é da nossa vontade, e acredito que é da vontade do governo do Acre também, de acelerar o máximo possível a retirada dos escombros”, concluiu o empreiteiro.