O Juruá em Tempo O Juruá em Tempo
Acre

Memória, fé e oralidade: Seminário Internacional na Ufac promove debate sobre religiosidades e saberes amazônicos

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: Maria Meirelles. 16/09/2026 às 07:37

A Universidade Federal do Acre (Ufac) sediará, entre os próximos dias 21 e 25 de setembro, o 5° Seminário Internacional de Fronteiras das Amazônias: Histórias, Culturas e os Desafios da Oralidade e o 3° Seminário Internacional de Fronteiras, Religião e Religiosidade na Pan-Amazônia.

O encontro acadêmico e cultural reúne pesquisadores, ativistas e mestres de saberes tradicionais para debater sustentabilidade, territórios, saberes ancestrais e diversidade religiosa na região pan-amazônica.

Organizado por docentes e pesquisadores da instituição e de redes internacionais, o seminário propõe valorizar as oralidades e as manifestações espirituais como fontes cruciais de conhecimento e resistência frente aos desafios sociais e ambientais contemporâneos.

Diálogos de fé e o papel social dos terreiros na Amazônia

Entre os momentos de destaque da programação presencial no Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus de Rio Branco, a quarta-feira, 23 de setembro, trará para o centro das discussões o papel das religiões de matriz africana e ameríndia no Acre.

Das 18h30 às 20h30, a Mesa de Conversação “Tenda de Umbanda Luz da Vida: Um Olhar Amazônico sobre a Umbanda” reunirá integrantes do terreiro sediado na capital acreana — entre as quais Mãe Marajoana de Xangô, Mãe Pequena Maria de Oxum, Ogã Curimbeira Thays de Xangô e Curimbeira Laura de Xangô —, sob mediação da professora Dra. Geórgia Pereira Lima.

O debate ganha relevância em um momento de crescentes discussões sobre políticas públicas, cartografia social e combate à intolerância religiosa na região. Para a sacerdócia Mãe Marajoana de Xangô, dirigente espiritual da Tenda de Umbanda Luz da Vida e uma das palestrantes convidadas, levar a vivência dos terreiros para o espaço universitário representa um passo fundamental no combate à invisibilidade.

“Durante muito tempo, os terreiros foram vistos apenas pelo aspecto religioso, enquanto, na realidade, muitos são espaços de acolhimento, escuta, preservação de saberes ancestrais e fortalecimento de vínculos comunitários”, destaca Mãe Marajoana.

A líder espiritual ressalta que o reconhecimento institucional e social dessas comunidades não é um privilégio, mas a garantia de direitos humanos e sociais fundamentais para as famílias que integram esses espaços.

“Ser reconhecida como comunidade de terreiro significa poder existir com dignidade, sem precisar esconder nossa fé e nossa identidade para ter acesso às políticas públicas. Não queremos ser lembrados apenas quando existe uma denúncia de intolerância. Queremos ser reconhecidos como parte ativa da sociedade, com nossa história, nossa cultura e nossa contribuição”, enfatiza.

Programação ampla e participativa

Além do painel sobre as religiosidades afro-amazônicas no dia 23, a programação semanal do seminário abrange minicursos, oficinas de história oral e cinema, lançamentos de livros, grupos de trabalho e apresentações de vivências culturais com mulheres artesãs e música indígena.

As atividades ocorrem em formato híbrido (presencial na Ufac e com transmissões online), integrando participantes do Brasil, Bolívia, Peru e de outros países em torno das pautas decoloniais e da preservação da memória da Pan-Amazônia.

Na página oficial do evento é possível conferir a programação completa.

Sair da versão mobile