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Morte em academia acende alerta: cardiologista explica sinais que não devem ser ignorados durante o exercício

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: A Gazeta do Acre. 12/08/2026 às 08:01

A morte súbita de Raimunda Osório, de 48 anos, ocorrida na manhã da última segunda-feira, 10, em uma academia no município de Cruzeiro do Sul, acendeu um importante alerta sobre a saúde cardiovascular e os limites do corpo durante a prática de atividades físicas. A vítima chegou a relatar dores de cabeça antes de iniciar o treino e sofreu uma parada cardiorrespiratória no local. Apesar das tentativas de reanimação feitas por uma médica presente e pela equipe do Samu, Raimunda não respondeu aos estímulos e faleceu no estabelecimento.

Diante da repercussão do caso, a equipe do portal A GAZETA procurou o médico cardiologista Ciro Falcão Júnior para tratar sobre o assunto. O especialista explicou a importância de escutar os sinais de aviso enviados pelo organismo e detalhou os cuidados essenciais para quem pratica ou pretende iniciar exercícios físicos com segurança.

Dor de cabeça e alteração de pressão

Segundo o cardiologista, a presença de dor de cabeça prévia ou durante o treino deve ser encarada com atenção e devidamente investigada, principalmente quando surgir de forma inédita.

A dor de cabeça é um sinal que tem que ser investigado, principalmente se for uma dor que antes o paciente não tinha, uma dor que apareceu mais recente. Ele fazia exercício sempre e não tinha dor, e agora começa a ter tanto antes, como durante ou após o exercício”, destacou Dr. Ciro.

O médico acrescentou que o sintoma pode indicar condições vasculares sérias que se agravam com o esforço físico:

“Uma dilatação de uma artéria, que é o que a gente conhece como aneurisma, pode se manifestar inicialmente com uma simples dor de cabeça e às vezes a pessoa não vai valorizar. Tem que avaliar também a pressão arterial, porque se você tiver uma dilatação e a pressão aumentar no esforço físico, pode aumentar o risco de romper esse vaso e provocar um AVC — que talvez tenha sido o que aconteceu, infelizmente, com essa moça em Cruzeiro do Sul”, pontuou.

Os “sinais vermelhos” do coração

O cardiologista relacionou os principais sintomas que exigem a interrupção imediata da atividade física e a busca por atendimento médico imediato:

“O coração costuma dar uns avisos antes de vir a pancada mais forte, que pode ser um infarto ou uma morte súbita. A gente é que às vezes não valoriza aquele sinal ou sintoma que o nosso coração está nos dando”, alertou.

Cansaço desproporcional vs. Morte súbita silenciosa

Dr. Ciro explicou ainda a diferença entre a fadiga física esperada e um sintoma de alerta cardiovascular em evolução. O chamado cansaço desproporcional ocorre quando o praticante realiza um exercício habitual, mas passa a sentir uma exaustão desmedida e sem causa aparente (como gripe ou anemia). Esse quadro pode indicar comprometimento das artérias coronárias e risco de infarto.

Por outro lado, o médico alertou que certas anomalias cardíacas, distúrbios elétricos e canalopatias não apresentam sintomas prévios evidentes, tornando o primeiro episódio grave a própria morte súbita. O risco eleva-se proporcionalmente à intensidade e à competitividade da atividade física praticada.

“Pessoas que fazem atividade física mais intensa, competitiva, têm um risco de duas a três vezes maior de ter morte súbita do que uma pessoa que faz atividade física menos intensa. Por quê? Porque ela vai forçar mais o coração do que a pessoa normal. A gente vê jogadores de futebol que às vezes caem no meio do campo. Os esportes hoje estão exigindo cada vez mais da parte física e às vezes o atleta tem um problema e nem sabe que tem”, ponderou o especialista.

A importância da avaliação prévia

Como recomendação final, o cardiologista reforçou a necessidade de uma consulta médica de rotina antes de iniciar uma rotina de treinos ou para quem já pratica exercícios mas nunca passou por exames preventivos.

“Importante também, sempre antes de praticar uma atividade física, ou mesmo para quem já pratica mas nunca fez uma avaliação cardiológica, é procurar um especialista para ver se você pode continuar fazendo aquela atividade com segurança”, concluiu.

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