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“O Acre vive uma crise de emprego e precisa fortalecer a iniciativa privada”, diz Eduardo Ribeiro

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 28/07/2026 às 19:43

O deputado estadual Eduardo Ribeiro (Republicanos) foi o entrevistado nesta terça-feira, 28, do programa Bar do Vaz e abordou diversos temas relacionados ao cenário político e econômico do Acre. Durante a conversa, o parlamentar falou sobre sua trajetória na política, defendeu o fortalecimento da iniciativa privada como caminho para a geração de empregos, comentou a possibilidade de um segundo mandato, afirmou que apoiará reformas administrativas que beneficiem a população sem prejudicar os servidores, destacou projetos como a educação financeira nas escolas, defendeu maior participação dos jovens na política, alertou para os desafios da Previdência estadual e reforçou a necessidade de combater a compra de votos e fortalecer a representatividade política.

Ribeiro afirmou na abertura do programa que decidiu ingressar na política após conhecer de perto a realidade da população acreana quando comandou a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Acre. Segundo ele, um dos principais desafios da atualidade é a crise de representatividade vivida pela sociedade. Eduardo contou que sua primeira vocação sempre foi o Direito e que a entrada na vida pública ocorreu de forma natural.“Na verdade, a minha paixão sempre foi o Direito. Sempre estive ligado ao Direito, sou advogado de profissão. As coisas aconteceram de forma natural. Fui convidado para ser superintendente do Incra e, nesse período, tive a oportunidade de percorrer todo o estado, conhecer todos os municípios e ver de perto as dificuldades enfrentadas pela população”, relembrou.

Foto: Iago Nascimento

O parlamentar afirmou que a experiência à frente do Incra reforçou sua percepção sobre a importância da política na transformação da realidade das pessoas.“Ali percebemos que muitos dos problemas passam pela política. Hoje, o Acre, assim como o mundo, vive uma crise de representatividade. Muitas pessoas nem sabem em quem votaram, e isso é muito ruim para a democracia”.

Para Eduardo Ribeiro, é fundamental que os eleitores se sintam efetivamente representados por aqueles que elegem.“Precisamos que a população se sinta representada por aqueles em quem vota. Quando isso não acontece, abre-se uma crise de representatividade e quem mais sofre é a própria população.”

O deputado ressaltou que sua trajetória política aconteceu de maneira espontânea e que continua tendo a advocacia como profissão, embora esteja totalmente dedicado ao mandato parlamentar.“Os ventos me levaram para a política. Hoje estou na política, estou político, mas minha profissão continua sendo a advocacia. Neste momento, estou totalmente dedicado ao mandato e a representar bem a população”, declarou o deputado.

Em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Eduardo Ribeiro afirmou que pretende disputar a reeleição em 2026 com o objetivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos anos.“Estou no meu primeiro mandato de deputado estadual e vou disputar a reeleição para confirmar o trabalho que realizamos nesse período. Graças a Deus, estou muito feliz com o apoio que tenho recebido da população e espero continuar representando os acreanos na Assembleia Legislativa”, destaca.

Eduardo falou sobre sua ligação com o setor rural e afirmou que a experiência adquirida à frente da Superintendência do Incra no Acre fortaleceu seu compromisso com os produtores rurais e a agricultura familiar. Apesar disso, ressaltou que procura exercer um mandato voltado para toda a população.“Eu procuro não segmentar. Sempre procurei ajudar meus pais na área rural também. Tenho uma relação muito boa com a agricultura familiar em razão do trabalho que realizamos no Incra. Tenho muito carinho por esse setor e conheço as dificuldades que os produtores enfrentam, como a falta de ramais em boas condições, de energia elétrica, de apoio à produção e de assistência técnica.”

Segundo o parlamentar, os produtores rurais têm capacidade para impulsionar a economia do estado quando recebem condições mínimas para trabalhar.“O produtor rural é muito trabalhador. Se ele tiver as condições mínimas, como um ramal para escoar a produção, energia elétrica, acesso à educação para os filhos e assistência técnica, ele dá conta do recado. Isso gera emprego, renda e aquece a economia”, comentou.

O deputado afirmou que, embora tenha um vínculo especial com o setor rural, seu mandato não é direcionado apenas a uma categoria.“Tenho um carinho muito grande pelo setor rural, é uma área da qual realmente gosto. Mas procurei não segmentar o nosso mandato, porque, quando você é eleito, representa toda a sociedade. Você recebe votos de quem mora na zona rural, mas também de quem enfrenta os problemas das cidades, como a falta de saneamento básico, de creches e de outros serviços essenciais.”

Foto: Iago Nascimento

Eduardo Ribeiro defende fortalecimento da iniciativa privada e diz que Acre precisa gerar mais empregos

Durante entrevista ao Bar do Vaz, o deputado estadual Eduardo Ribeiro afirmou que o Acre enfrenta uma crise na geração de empregos e defendeu que o desenvolvimento econômico do estado passe pelo fortalecimento da iniciativa privada, com incentivos ao comércio, à indústria e ao agronegócio.“Hoje o Estado do Acre vive uma crise de emprego. Precisamos avançar na geração de oportunidades. Tenho defendido isso junto ao senador Alan Rick. O desenvolvimento do estado precisa passar pelo fortalecimento da iniciativa privada, do comércio, da instalação de novas indústrias e agroindústrias, para incentivar a criação de empregos”, desabafou.

Segundo o parlamentar, é necessário reaquecer a economia acreana para reduzir a dependência do poder público como principal empregador.“Precisamos reaquecer a economia do Estado para depender menos do poder público e criar condições para que a iniciativa privada gere os empregos necessários. Esses são os eixos econômicos que a política deve defender, sempre tendo como objetivo final a dignidade e o bem-estar da população.”

Ribeiro também criticou práticas que, segundo ele, distorcem a finalidade da atividade política.“Quando o político deixa de estar preocupado com as pessoas que representa e passa a priorizar interesses eleitorais, como a compra de votos e outras práticas condenáveis, ele esquece a verdadeira função da política. Isso é muito ruim para a sociedade”, disse.

O deputado comentou sua saída do PSD e afirmou que o episódio está superado. O parlamentar destacou que mantém respeito pelo senador Sérgio Petecão, pela direção do partido e pelos amigos que construiu durante o período em que integrou a legenda.

De acordo com Eduardo, o desgaste ocorreu após mudanças na liderança da bancada do PSD na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em meio a um impasse envolvendo o então líder do partido, deputado Pablo Bregense.“Tenho muito respeito pelo senador Petecão e pelo PSD. Deixei muitos bons amigos lá. O que aconteceu foi que, naquele momento, houve uma decisão envolvendo o deputado Pablo. Após ele ser destituído da liderança do partido, era natural que a liderança fosse repassada para o outro deputado da bancada, que era eu”, contou.

O parlamentar afirmou que, ao não ser escolhido para assumir a liderança, sentiu-se desvalorizado, mas ressaltou que nunca rompeu a relação política com o senador. “Naquele momento, acabei me sentindo desvalorizado, como qualquer pessoa se sentiria. Mas isso passou. Está superado.”

Eduardo Ribeiro destacou ainda que continua mantendo uma relação de respeito com Sérgio Petecão e lembrou que atualmente o senador integra o mesmo grupo político do senador Alan Rick.“Hoje o senador Petecão está na mesma aliança do senador Alan Rick. Tenho muito respeito por ele e pela Marfisa. Então a gente deseja muito bem a ele e tá superado”, acrescentou.

Ribeiro afirmou que, caso seja reeleito, pretende ampliar as ações voltadas para a juventude e incentivar a participação dos jovens na política. Segundo o parlamentar, a renovação política depende do engajamento das novas gerações, que precisam ocupar espaços de debate e contribuir para a construção das políticas públicas.“O jovem é fundamental. Ele precisa entender que tudo o que está sendo construído na política hoje impacta as próximas gerações. Existe uma geração que está na política agora e, naturalmente, ela será sucedida por outra. Essa transição passa pelo engajamento da juventude.”

Ele destacou que os jovens possuem grande potencial de transformação, mas precisam reconhecer a força que têm quando participam da vida pública.“A juventude tem uma força gigantesca. Costumo dizer que é como um leão cheio de força. Os jovens precisam ter consciência desse potencial e entender a importância que têm para a política”, pontuou.

Para o deputado, o futuro do estado depende da participação ativa da juventude nas discussões e decisões políticas.“Tudo o que estamos construindo hoje é pensando nas futuras gerações. Por isso, o jovem precisa participar ativamente das discussões políticas, acompanhar as decisões e contribuir para transformar a realidade da sociedade.”

O parlamentar fez um alerta à população sobre a importância do voto consciente e afirmou que ninguém tem acesso ao voto registrado nas urnas eletrônicas. Segundo ele, vender o voto significa comprometer o futuro de toda a sociedade.“Ninguém vai saber em quem você votou. A população precisa ter essa tranquilidade e esse entendimento. Quem vende o voto não está vendendo apenas o próprio futuro, mas o futuro de uma geração inteira”, disse.

Ele destacou que a escolha dos representantes políticos influencia diretamente a qualidade das políticas públicas destinadas às crianças, adolescentes e demais segmentos da sociedade.“Quando se deixa de eleger alguém que poderia fazer muito mais pela população, todos perdem. Perdem as crianças, os adolescentes e toda a sociedade”, declarou.

Eduardo Ribeiro também ressaltou sua atuação à frente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e defendeu mais investimentos em políticas públicas voltadas à infância. “Até pouco tempo fui presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente na Assembleia Legislativa. Ainda temos índices muito altos de violência contra crianças no Acre. Precisamos criar novos mecanismos de proteção e destinar uma parcela significativa do orçamento público para garantir mais segurança, oportunidades e dignidade às nossas crianças”, acrescentou.

O parlamentar destacou a aprovação do projeto de lei que institui a educação financeira nas escolas do Acre e afirmou que a iniciativa busca preparar crianças e adolescentes para uma relação mais responsável com o dinheiro. Segundo o parlamentar, a política pública já começa a apresentar resultados por meio da realização da Olimpíada Acreana de Educação Financeira, que chega à segunda edição e deverá envolver mais de 25 mil estudantes.“Aprovamos o projeto que institui a educação financeira nas escolas. A partir dele, foi criada a Olimpíada de Educação Financeira do Estado do Acre, que já está na sua segunda edição. Neste ano, mais de 25 mil alunos poderão participar e aprender sobre a importância de cuidar da saúde financeira”, comentou.

Eduardo explicou que a proposta é ensinar, desde cedo, conceitos relacionados ao planejamento financeiro, ao uso consciente do crédito e à prevenção do endividamento. “Queremos que os jovens entendam como administrar o próprio dinheiro, tenham responsabilidade com o crédito, saibam utilizar um cartão de crédito e evitem o endividamento. Isso ajuda a formar cidadãos mais preparados para construir um futuro com segurança financeira.”

Foto: Iago Nascimento

Na reta final da entrevista ao Bar do Vaz, o deputado estadual Eduardo Ribeiro afirmou que, caso seja reeleito, pretende ampliar as políticas públicas que já defende na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), com prioridade para a proteção da infância, a geração de empregos e a educação financeira nas escolas. Para o parlamentar, outro objetivo será contribuir com a governabilidade de um eventual governo de Alan Rick (Republicanos), caso o senador seja eleito governador nas eleições de 2026.“Quero ampliar o fortalecimento das políticas que temos defendido, tanto para as crianças quanto para a geração de emprego. Também quero fortalecer cada vez mais a educação financeira e ajudar, no que for possível, um eventual governo Alan Rick, se essa for a decisão da população”, argumentou.

Eduardo explicou que enxerga a administração pública sustentada por três pilares: projeto de governo, governabilidade e capacidade de gestão.“Costumo dizer que um governo é formado por um triângulo. Existe o projeto de governo, que são os eixos e as propostas para melhorar a vida da população; existe a governabilidade, que garante condições políticas para executar essas propostas; e existe a capacidade de governo, que é montar uma boa equipe e administrar o Estado. Eu pretendo contribuir principalmente na governabilidade, ajudando para que o plano de governo possa ser colocado em prática”, defendeu.

Reforma administrativa

Questionado sobre a possibilidade de uma reforma administrativa em um futuro governo, Eduardo Ribeiro afirmou que apoiaria medidas apenas se elas trouxessem benefícios à população e não prejudicassem os servidores públicos.“Se a reforma for interessante para a população, trouxer benefícios para a economia do Estado e não causar prejuízos aos servidores, eu votaria sem nenhum problema. Sempre votei na Assembleia em favor daquilo que considero positivo para a sociedade, independentemente de partido”, garantiu.

Previdência é um dos principais desafios do Estado

Durante a entrevista, o deputado também afirmou que o déficit da Previdência estadual é um dos maiores desafios fiscais do Acre e defendeu medidas para fortalecer a arrecadação e reduzir o passivo previdenciário.“Um dos maiores problemas do Estado hoje é a Previdência. Precisamos encontrar mecanismos para que parte da arrecadação seja destinada à amortização desse déficit, garantindo sustentabilidade para o sistema”, alertou.

Como alternativa, Eduardo defendeu a convocação dos aprovados no concurso da Secretaria da Fazenda (Sefaz), argumentando que o reforço no quadro de auditores e fiscais poderá aumentar a arrecadação estadual. “A Secretaria da Fazenda precisa de mais servidores. O empresário que trabalha corretamente não tem problema em ser fiscalizado. O problema está em quem não cumpre suas obrigações. Convocar os aprovados no concurso fortalece a fiscalização, aumenta a arrecadação e cria condições para que parte desses recursos seja destinada ao equilíbrio da Previdência”, sugeriu.

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