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Produtores do Acre iniciam plantio da soja com preços em alta no mercado internacional

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: redação. 24/09/2026 às 08:10

Os produtores de soja do Acre iniciaram o plantio da safra 2026/27 em um cenário de valorização do grão no mercado internacional e de redução do crédito rural no país. A avaliação consta no Boletim Técnico de Setembro da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), divulgado nesta segunda-feira (21), mesma data de abertura da janela de semeadura no estado.

Segundo a Faeac, o relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou oferta global mais restrita de milho e forte valorização do farelo de soja, condição favorável de preço para quem vai plantar agora. O preço médio da soja ao produtor norte-americano subiu de US$ 418,70 para US$ 440,60 por tonelada entre agosto e setembro, e o farelo passou de US$ 341,72 para US$ 374,79 por tonelada.

A alta também aparece no mercado acreano. A saca de 60 quilos de soja passou de R$ 131 para R$ 140, aumento de 6,87%, com pagamento previsto para 30 de abril de 2027, conforme cotação de referência de 18 de agosto com base em dados da Amaggi e da Bunge.

O relatório do USDA manteve as estimativas para o Brasil em 186 milhões de toneladas de produção de soja e 118 milhões de toneladas de exportação. No caso do milho, o órgão reduziu a projeção de exportação brasileira para 43 milhões de toneladas, em razão do maior uso interno do grão para a produção de etanol. Para a Faeac, a mudança significa mais concorrência doméstica pelo cereal e sustentação de preço no mercado interno. No Acre, porém, a saca de milho recuou de R$ 70 para R$ 65,50, queda de 6,43%, o que a federação atribui à maior oferta local.

O boletim também chama atenção para a redução do financiamento à produção agropecuária no Brasil, que encolheu 25,8% em 12 meses, segundo nota técnica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A área custeada com crédito rural caiu de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês de 2026.

Entre os fatores citados está a inadimplência e renegociação da carteira, que passou de 11,8% em julho de 2024 para 23,5% em julho de 2026. As alternativas privadas cresceram no período, e o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPR) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho de 2026, alta de 12%.

A Faeac ressalta que instrumentos como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fiagros exigem escala, estrutura financeira e acesso ao mercado de capitais, o que favorece produtores e agroindústrias de maior porte. No Acre, segundo o mesmo boletim, a primeira safra de milho concentra grande número de produtores da agricultura familiar, com baixo nível tecnológico e produção voltada, na maioria dos casos, para a subsistência.

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