Quase todos os pacientes diagnosticados com câncer de pulmão no Acre tiveram a doença identificada já em estágio avançado. É o que aponta um levantamento do Radar do Câncer, com dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os casos com estadiamento preenchido registrados no estado nos últimos três anos, 97,56% estavam nos estágios 3 ou 4 da doença, considerados avançados.
O percentual coloca o Acre entre as unidades da federação com maior proporção de diagnósticos tardios. No ranking, o estado se equipara ao Piauí, e fica atrás apenas de Rondônia, onde 98,97% dos casos de câncer de pulmão são descobertos em estágio avançado. O levantamento considera os atendimentos realizados pelo SUS e utiliza informações do Painel de Oncologia. Para o cálculo por estado, foram considerados os diagnósticos registrados entre 2024 e 2026.
O estadiamento é utilizado para identificar a localização e a extensão do câncer no organismo no momento do diagnóstico. De acordo com o Radar do Câncer, os estágios 1 e 2 são considerados iniciais, enquanto os estágios 3 e 4 são classificados como avançados.
No Acre, portanto, menos de 3% dos casos considerados na base estavam nos estágios iniciais, enquanto a ampla maioria foi identificada quando a doença já apresentava maior extensão.
Confira o ranking completo por estado:
- Rondônia (RO) — 98,97%
- Acre (AC) — 97,56%
- Piauí (PI) — 97,56%
- Espírito Santo (ES) — 94,28%
- Alagoas (AL) — 93,59%
- Tocantins (TO) — 93,27%
- Maranhão (MA) — 93,21%
- Sergipe (SE) — 92,82%
- Distrito Federal (DF) — 92,02%
- Goiás (GO) — 91,91%
- Mato Grosso (MT) — 91,85%
- Paraíba (PB) — 91,67%
- Santa Catarina (SC) — 91,51%
- Mato Grosso do Sul (MS) — 91,03%
- Bahia (BA) — 90,19%
- Amazonas (AM) — 90,00%
- Roraima (RR) — 90,00%
- Paraná (PR) — 89,68%
- Minas Gerais (MG) — 88,60%
- Ceará (CE) — 88,29%
- São Paulo (SP) — 87,64%
- Rio de Janeiro (RJ) — 85,80%
- Pará (PA) — 81,66%
- Rio Grande do Norte (RN) — 76,47%
- Rio Grande do Sul (RS) — 75,54%
- Pernambuco (PE) — 70,76%
- Amapá (AP) — 0%
Câncer de pulmão está entre os mais incidentes no mundo
O câncer de pulmão é atualmente o tipo de câncer mais incidente no mundo, segundo estimativas do Globocan 2024. São aproximadamente 2,6 milhões de novos casos por ano, o equivalente a 13,5% de todos os diagnósticos de câncer.
Entre os homens, a doença ocupa a primeira posição entre os tipos de câncer mais incidentes. Entre as mulheres, aparece na segunda colocação.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano para cada ano do triênio de 2026 a 2028. A estimativa corresponde a um risco de 16,51 casos para cada 100 mil habitantes.
Além da alta incidência, a doença também apresenta um número elevado de mortes. Em 2024, foram registrados 32.557 óbitos por câncer de pulmão no país.
Tabagismo é principal fator de risco
O tabagismo e a exposição passiva ao cigarro estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de pulmão. Segundo os dados apresentados pelo Radar do Câncer, o tabaco está relacionado a cerca de 85% dos casos diagnosticados. Além disso, também são considerados fatores de risco as exposições ocupacionais e ambientais.
Acre tem 35,69 pacientes ativos por 100 mil habitantes
Outro indicador do Radar do Câncer mostra a quantidade de pacientes adultos considerados ativos no tratamento. São classificados dessa forma aqueles que realizaram quimioterapia ou radioterapia nos três meses anteriores ao período analisado.
Entre março e maio de 2026, o Acre registrou 35,69 pacientes ativos por 100 mil habitantes, considerando os atendimentos realizados pelo SUS.
Os dados consideram pessoas com 18 anos ou mais e foram extraídos das bases do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), referentes aos atendimentos de quimioterapia e radioterapia.



