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Sena Madureira registra a maior queda na produção de macaxeira do Acre

A produção de macaxeira na microrregião de Sena Madureira, formada pelos municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, caiu 81,2% entre 2014 e 2025. Os três municípios colheram juntos 265.158 toneladas de raiz em 2014 e 49.900 toneladas em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. No mesmo período, a produção do Acre recuou 60,2%, de 1,24 milhão para 493.882 toneladas.

Os dados constam no Estudo Econômico 2026 “Economia e vocações da Microrregião de Sena Madureira”, elaborado pela Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape) para o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, com apoio do Sebrae. O estudo foi divulgado na última semana.

Sena Madureira teve a maior queda entre os municípios acreanos com produção relevante. A cidade perdeu 83,8% do volume e produziu 37.200 toneladas em 2025. Manoel Urbano recuou 73,5%, com 7.100 toneladas, e Santa Rosa do Purus, que parte de uma base bem menor, caiu 30,2%, com 5.600 toneladas. Mesmo com a retração, Sena Madureira ainda é o sexto maior produtor de mandioca do estado, o que, segundo o estudo, indica que a queda é generalizada no Acre e não exclusiva do Vale do Purus.

A redução não se limita à produtividade. A área plantada em Sena Madureira caiu de 6.952 hectares em 2014 para 1.600 hectares em 2025, uma redução de 77%, e o rendimento médio passou de 33.129 para 23.250 quilos por hectare. O valor da produção municipal recuou de R$ 87,6 milhões para R$ 31,6 milhões no período.

Os pesquisadores afirmam que as causas não aparecem nas estatísticas, mas a pesquisa de campo permite formular três hipóteses que se somam e que ainda precisam de verificação. A primeira é o esforço exigido pelo beneficiamento. A mandioca só gera renda quando convertida em farinha, processo trabalhoso e dependente de mão de obra familiar, do arranque à raspagem, da prensagem à torra. Em reunião no Sindicato Rural de Sena Madureira, produtores relataram que a casa de farinha instalada pelo poder público funcionava de forma inteiramente manual e não gerava receita suficiente nem para pagar a mão de obra da descasca, motivo pelo qual deixou de operar.

“A casa de farinha, meu filho, já foi pente, não funciona mais. […] Arrumar uma casa de farinha manual, tudo manual. Aí pegaram umas 40 mulheres pra descascar macaxeira. Aí na hora de vender a farinha não dava pra pagar a mão de obra. Isso não é programa, gente”, disse uma produtora e dirigente sindical durante a reunião.

A segunda hipótese é a migração de área e de trabalhadores para o café, cultura que exige manejo mais intenso, mas oferece retorno financeiro superior. Em Sena Madureira, a produção de café passou de 42 toneladas em 2014 para 115 toneladas em 2025, enquanto a mandioca seguia a trajetória inversa. A terceira é a escassez de mão de obra rural, citada de forma recorrente pelos entrevistados, com relatos de produtores que desistiram de ampliar plantios por não conseguir formar equipes e de um viveirista que precisou contratar trabalhadores de outro estado.

O estudo também dimensiona o mercado da farinha. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, cada acreano adquire em média 6,744 quilos de farinha de mandioca por ano, quase três vezes a média nacional, de 2,332 quilos, embora abaixo da média da Região Norte, de 10,790 quilos. Aplicado à população de 2025, o índice resulta em demanda domiciliar de cerca de 5.964 toneladas por ano em todo o estado e de 433 toneladas na microrregião.

As 49.900 toneladas de raiz colhidas no Vale do Purus em 2025 poderiam render cerca de 12.475 toneladas de farinha, volume superior à demanda domiciliar estimada de todo o Acre. Para os pesquisadores, o limite da cadeia não está no consumo regional, e sim na capacidade de processar, padronizar e alcançar mercados fora do município.

Entre as recomendações, o boletim propõe um diagnóstico de campo sobre as três hipóteses antes de qualquer novo investimento, para evitar a repetição do modelo manual que não se sustentou. O estudo sugere ainda testar, em escala piloto, unidades de processamento que reduzam o esforço manual na descasca, na prensagem e na torra, com medição do tempo de trabalho por saca, do custo operacional, da qualidade do produto e do preço alcançado.