Os dados de prestação de contas eleitorais compilados pelo ac2horas nesta terça-feira (1) mostram diferenças expressivas no valor médio das despesas por voto entre políticos que disputaram o Governo do Estado e o Senado no Acre. O chamado “valor do voto” é o resultado da relação entre as despesas declaradas pela campanha e a quantidade de votos recebidos. Os números utilizados nesta análise são exclusivamente os que aparecem nas informações de despesas e resultados de urna das principais candidaturas do estado em 2026, por meio de informações públicas do Tribunal Superior Eleitoral.
Entre os candidatos ao Governo do Acre, Tião Bocalom aparece com uma campanha anterior diretamente comparável ao cargo. Em 2018, quando disputou uma vaga como deputado federal, declarou R$ 118 mil em despesas e recebeu 21.872 votos (R$ 5,38 por voto). Em 2020, quando disputou a Prefeitura de Rio Branco, declarou R$ 138 mil em despesas e recebeu 104.746 votos, chegando a R$ 1,32 por voto. Em 2024, foram R$ 500 mil em despesas e 108.605 votos, com valor de R$ 4,60 por voto.
A comparação entre essas as eleições mostram que o indicador de Bocalom aumentou de R$ 1,32 para R$ 4,60, uma alta de aproximadamente 248,5%. Na comparação entre 2018 e 2024, o valor passou de R$ 5,38 para R$ 4,60, uma redução de aproximadamente 14,5%.
Alan Rick aparece no material com campanhas de 2018 e 2022, mas em cargos diferentes. Em 2018, quando foi reeleito deputado federal, teve R$ 1,3 milhão em despesas e 22.263 votos, resultando em R$ 57 por voto. Em 2022, na disputa pelo Senado, foram R$ 3,3 milhões em despesas e 154.312 votos, com valor de R$ 21 por voto. A redução do indicador entre essas duas eleições foi de aproximadamente 63,2%.
Thor Dantas, que também aparece entre os nomes que disputaram o governo em 2026, teve em 2022 uma campanha a deputado federal com R$ 256 mil em despesas e obteve 3.424 votos. O cálculo é de R$ 75 por voto.
No caso de Mailza Assis, a análise histórica não pode ser feita com os dados encaminhados. A atual candidata ao governo não possui histórico anterior em que tenha encabeçado uma chapa para o Executivo estadual. Por isso, não há base para calcular uma evolução do seu “valor do voto” em disputas pelo governo.
Candidatos ao Senado
Entre os candidatos, os documentos permitem comparações mais diretas para alguns nomes. Marcio Bittar, por exemplo, declarou R$ 2 milhões em despesas e recebeu 185.066 votos em 2018 como candidato ao Senado, resultando em R$ 11 por voto.
Em 2022, como candidato ao governo do estado, Bittar teve R$ 3,4 milhões em despesas, mas recebeu apenas 4.773 votos. O valor apresentado na prestação de contas passou para R$ 704 por voto. A variação entre os dois pleitos foi de aproximadamente 6.300%.
Petecão também teve aumento expressivo do indicador entre as suas eleições. Em 2018, sua campanha ao senado registrou R$ 1,2 milhão em despesas e 244.109 votos, com R$ 4,85 por voto. Em 2022, quando candidato a governador, foram R$ 3 milhões em despesas e 27.393 votos, com valor passando para R$ 110 por voto, uma elevação de aproximadamente 2.168%.
Jorge Viana teve uma variação menor. Em 2018, quando candidato ao Senado, foram R$ 1,4 milhão em despesas para 117.200 votos, resultando em R$ 12 por voto. Em 2022, quando candidatou-se ao governo, a campanha registrou R$ 2,5 milhões em despesas e 103.265 votos. O indicador passou para R$ 24 por voto, uma elevação de 100%.
Gladson Cameli também aparece com duas campanhas. Em 2018, na disputa que o tornou governador pela primeira vez, declarou R$ 2,2 milhões em despesas e recebeu 223.993 votos, com valor de R$ 9,70 por voto. Em 2022, quando foi reeleito, as despesas chegaram a R$ 4,1 milhões e a votação foi de 242.100 votos. O valor passou para R$ 17 por voto, crescimento de aproximadamente 75,3%.
Eduardo Velloso, atualmente candidato ao senado, gastou R$ 8.450 numa candidatura a deputado estadual em 2006, para obter 1.478 votos. Isso corresponde a aproximadamente R$ 5,72 por voto. Em 2022, quando concorreu a uma vaga na Câmara Federal, registrou R$ 2 milhões em despesas, recebendo 16.786 votos. Assim, o valor do voto de Eduardo Velloso aumentou de R$ 5,72 para R$ 118, uma alta de aproximadamente 1.964% entre 2006 e 2022.
A comparação de eleições para cargos diferentes deve ser interpretada apenas como variação da relação entre despesas e votos, e não como uma comparação entre duas campanhas.

