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Bem-estar e saúde mental: como o movimento pode ajudar

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: InfoMoney. 14/09/2026 às 06:47

Quando falamos em saúde mental, ainda é comum que o assunto seja associado apenas a momentos de crise ou à necessidade de buscar ajuda quando algo já não vai bem.

Mas cuidar da mente também passa por aquilo que fazemos todos os dias: como dormimos, como nos alimentamos, quanto nos movimentamos, quais momentos reservamos para nós mesmos e até mesmo como estabelecemos limites dentro de uma rotina cada vez mais acelerada.

Ao ampliar o debate sobre saúde mental, o Setembro Amarelo também nos convida a olhar para o cuidado de maneira mais ampla. Não existe uma fórmula única para o bem-estar, mas construir uma rotina que contemple movimento, descanso, autocuidado e momentos de conexão pode ser um caminho importante para uma vida mais equilibrada.

Segundo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), é indicado que adultos façam 300 minutos de atividade física moderada ou 150 minutos de exercício intenso por semana.

Movimento também é cuidado

A atividade física não deve ser encarada apenas como uma ferramenta para transformar o corpo ou alcançar determinada performance.

O exercício também pode representar um momento de pausa, de presença e de reconexão consigo mesmo em meio a agendas cheias, reuniões, compromissos e estímulos constantes e reservar um período do dia para se movimentar pode ajudar a criar uma fronteira saudável entre as demandas externas e o cuidado pessoal.

Acredito que o primeiro passo seja encontrar uma atividade que faça sentido para cada pessoa, antes mesmo de pensar em quantidade ou intensidade.

Caminhar, correr, nadar, praticar musculação, dançar, fazer yoga ou simplesmente incorporar mais movimento à rotina são algumas das diversas possibilidades.

O importante é entender que cuidar do corpo também pode fazer parte de uma estratégia maior de cuidado com a mente.

Autocuidado não precisa ser extraordinário

Outro ponto fundamental é abandonar a ideia de que autocuidado precisa ser algo extraordinário.

Muitas vezes, ele está em atitudes simples e consistentes, como dormir melhor, fazer uma refeição com calma, diminuir o tempo diante das telas, encontrar amigos, passar alguns minutos em silêncio ou respeitar o próprio limite.

Em uma sociedade que frequentemente valoriza a produtividade acima de tudo, aprender a desacelerar também é uma forma de cuidado. Nem todos os dias serão produtivos e reconhecer isso pode ser libertador. O equilíbrio não significa ter uma rotina perfeita, mas desenvolver uma relação mais consciente com as próprias necessidades.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, as mulheres representam cerca de 63% dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil em 2025, e apresentam duas vezes mais chances de desenvolver depressão e transtornos de ansiedade em comparação com os homens, impulsionadas por fatores biológicos, sociais e de sobrecarga de rotina.

O uso excessivo de telas também prejudica a saúde mental ao causar sobrecarga cognitiva, ansiedade, distúrbios do sono e isolamento social.

O ambiente em que praticamos exercícios pode contribuir para essa experiência. Uma academia, por exemplo, pode ser muito mais do que um espaço destinado ao treinamento físico. Pode se tornar um lugar de convivência, de criação de vínculos e de construção de hábitos.

Quando o exercício deixa de ser uma obrigação e passa a fazer parte de um estilo de vida, a relação com o movimento tende a mudar.

Corpo e mente não são universos separados

É nesse ponto que acredito que o conceito de bem-estar precisa ser ampliado, pois não se trata apenas de buscar resultados estéticos ou estabelecer metas cada vez maiores, mas sim entender que saúde envolve diferentes dimensões e que elas estão conectadas. Corpo e mente não são universos separados.

Também é importante reforçar que atividade física e autocuidado não substituem acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou outros profissionais quando necessário. Em situações de sofrimento emocional intenso, é fundamental procurar ajuda especializada e conversar com pessoas de confiança.

O exercício pode integrar uma rotina de cuidado, mas não deve ser apresentado como solução isolada para questões de saúde mental.

Construir uma rotina mais equilibrada não acontece de um dia para o outro. Começa com pequenas escolhas e, principalmente, com a disposição de olhar para dentro e entender o que o nosso corpo e a mente estão pedindo. Movimentar-se pode ser uma dessas escolhas. Descansar também.

E, claro, pedir ajuda quando necessário.

No fim, bem-estar não significa estar bem o tempo todo. Significa criar condições para atravessar os diferentes momentos da vida com mais consciência, suporte e qualidade de vida.

E talvez um dos maiores investimentos que podemos fazer seja aprender a cuidar de nós mesmos de maneira integral.

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