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Qual é o pior horário para dormir e como isso afeta seu corpo

A quantidade de horas dormidas é tão importante quanto o horário em que a pessoa vai para a cama. Embora não exista um horário ideal que funcione para todos, dormir muito tarde pode afetar o ritmo circadiano e comprometer a qualidade do sono.

Mas, afinal, qual é o pior horário para dormir? Dois especialistas em sono abordaram a questão em entrevista ao site EatingWell e chamaram atenção para os efeitos de ir para a cama depois da meia-noite.

Qual é o pior horário para dormir?

Segundo os especialistas, dormir depois da meia-noite pode ser prejudicial quando esse hábito entra em conflito com o relógio biológico e com a rotina diária da pessoa.

O ritmo circadiano funciona como um relógio interno do organismo e ajuda a regular os períodos de sono e vigília. Ele também participa do controle de hormônios, metabolismo, função imunológica e reparação celular.

Por isso, não existe um único horário de dormir que seja adequado para todos. Algumas pessoas naturalmente sentem sono mais cedo, enquanto outras têm um cronotipo mais tardio.

O problema surge quando o horário de sono fica desalinhado com o relógio biológico ou com as obrigações do dia seguinte.

“Seu horário de sono deve estar alinhado com seu ritmo circadiano”, explica a neurocientista Chelsie Rohrscheib.

“Dormir fora desse período causará uma pior qualidade do sono e aumentará o risco de problemas de saúde”, acrescenta.

Melatonina e cortisol podem ficar desregulados

A melatonina e o cortisol são dois hormônios importantes na regulação do ciclo de sono e vigília.

A melatonina ajuda a sinalizar ao organismo que está chegando a hora de dormir. Já o cortisol, ligado ao estado de alerta, costuma aumentar nas primeiras horas da manhã para preparar o corpo para acordar.

“A melatonina, que é regulada pela luz solar, atinge seu pico no final da tarde e começa a diminuir quando você tenta dormir depois da meia-noite”, afirma o médico Alex Dimitriu.

Quando o horário de dormir varia demais ou acontece muito tarde, esse ciclo hormonal pode ficar menos sincronizado.

Dormir tarde pode reduzir o sono profundo

O sono profundo, também conhecido como sono de ondas lentas, é considerado uma das fases mais restauradoras do sono.

É nesse período que o organismo intensifica processos de recuperação dos tecidos, consolidação de memórias e eliminação de resíduos metabólicos do cérebro.

Segundo os especialistas, grande parte do sono profundo tende a se concentrar na primeira metade da noite.

“Deitar tarde diminui o sono de ondas lentas, que geralmente ocorre na primeira metade da noite”, afirma Dimitriu.

Por isso, mesmo que a pessoa consiga dormir várias horas, um horário muito tardio pode alterar a distribuição das diferentes fases do sono.

Desalinhamento pode estar ligado a problemas de saúde

Pesquisas sugerem que o desalinhamento circadiano crônico pode estar associado a um risco maior de problemas de saúde a longo prazo.

“Pessoas que estão acordadas ou dormindo em horários anormais apresentam risco elevado de desenvolver várias doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, demência e depressão”, afirma Rohrscheib.

Isso não significa que dormir depois da meia-noite, isoladamente, provoque essas doenças. O risco está relacionado principalmente à manutenção prolongada de um padrão de sono desalinhado com o ritmo biológico.

O mais importante é manter regularidade

Mais do que seguir um horário rígido, os especialistas destacam a importância de manter uma rotina consistente.

Dormir e acordar em horários semelhantes todos os dias ajuda o organismo a manter o ritmo circadiano mais estável.

Também é importante garantir uma quantidade adequada de sono e observar se o horário escolhido permite acordar descansado e funcionar bem durante o dia.

“Se o seu ritmo circadiano continuar desalinhado mesmo quando você se esforça para corrigi-lo, isso pode indicar um problema subjacente que vale a pena discutir com um especialista em sono”, conclui Rohrscheib.