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Três em cada 10 pessoas no Brasil dizem que redes sociais são obstáculo para democracia, diz pesquisa

No Brasil, três em cada dez pessoas (29%) afirmam que as redes sociais representam mais um obstáculo do que um benefício para a democracia. Além disso, 78% dizem que a internet facilitou a manipulação de pessoas por meio de informações falsas e boatos. Os dados são de uma pesquisa do Pew Research Center, que ouviu 45.658 pessoas em 37 países entre fevereiro e maio deste ano e identificou um aumento, em relação a 2022, na parcela de entrevistados que veem as plataformas digitais como prejudiciais à democracia.

O levantamento mostra que a percepção sobre o impacto das redes sociais na democracia varia bastante entre os países. Na média das 37 nações pesquisadas, 35% dos entrevistados afirmam que as plataformas são prejudiciais à democracia, enquanto 55% avaliam que elas trazem benefícios. Em comparação com 2022, houve aumento na parcela dos que consideram as redes sociais um prejuízo ao sistema democrático.

A percepção negativa é mais frequente em países de alta renda. Na Holanda, 70% dizem que as redes sociais têm efeito negativo sobre a democracia, seguida por França (65%), Estados Unidos (64%), Alemanha (61%), Reino Unido (56%), Canadá (55%) e Austrália (52%). Israel e Singapura aparecem como exceções nesse grupo, com 22% dos entrevistados em cada país considerando as redes prejudiciais.

Em países como Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, a parcela que vê as redes sociais como prejudiciais é menor: 21%, 24%, 11%, 23% e 21%, respectivamente. Nesses países, a avaliação positiva das plataformas é majoritária.

Informação, participação e desinformação

Apesar de a maioria dos brasileiros avaliar positivamente o papel das redes sociais para a democracia, os entrevistados também apontam efeitos negativos da internet. Além dos 78% que dizem que ela facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos, 64% afirmam que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

Por outro lado, 73% dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais, e 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política.

Na mediana dos 36 países considerados nesse recorte da pesquisa, 77% dos entrevistados dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais; 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política; 79% avaliam que facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos; e 68% dizem que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

A percepção de que as redes sociais ampliaram as divisões políticas também se tornou mais comum em diversos países. Segundo o Pew Research Center, houve aumentos de dois dígitos na parcela que compartilha essa avaliação na Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.

Redes sociais mais usadas

Além do levantamento internacional, o Pew Research Center realizou uma pesquisa específica sobre o uso de plataformas de mídia social entre adultos americanos. Foram ouvidas 5.511 pessoas entre 30 de janeiro e 18 de junho de 2026.

Entre os entrevistados, 69% afirmaram usar o Facebook, 51% disseram usar o Instagram, 40% o TikTok, 18% o X (antigo Twitter) e 18% o Snapchat.

O levantamento internacional mostra que o uso das plataformas varia entre os países. Entre as cinco redes analisadas, o Facebook tende a ser a mais utilizada, seguido pelo Instagram. O TikTok também tem presença relevante, especialmente entre os mais jovens, enquanto parcelas menores da população afirmam usar o X ou o Snapchat.