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PM é preso por homicídio ao atirar contra irmãos

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: Metrópoles. 25/09/2026 às 15:42

O policial militar Ricardo Dias atirou contra Daniel Narita, de 45 anos (imagem em destaque) enquanto ele trocava socos com o irmão, Anderson Narita, mesmo com nenhum dos dois estando armado. Daniel foi atingido no peito e morreu. Para a Polícia Civil, o PM se “precipitou” ao confundir os golpes com supostas facadas — como o militar alegou em depoimento.

Ao analisar informalmente trechos de duas câmeras corporais, o delegado Osvaldo Farah registrou que Ricardo aparece efetuando o disparo “com apenas uma das mãos” e “claramente sendo prejudicado na postura de tiro por outro policial”.

O documento, obtido pela coluna, ainda ressalta que a ocorrência era atendida por mais de sete policiais e que nenhum deles “teve sequer o esboço de agir como o Policial Militar Ricardo Dias”.

“Pareciam estocadas de faca”

Em depoimento, Ricardo afirmou que os irmãos já haviam sido separados e estavam aparentemente calmos quando a equipe se preparava para deixar o imóvel.

Ao ouvir pedidos de socorro, disse ter voltado ao quintal e visto Daniel fazendo movimentos que “pareciam estocadas de faca”. Segundo o PM, a iluminação era precária e ele entendeu que Daniel esfaqueava Anderson. Alegou ainda que o “calor dos acontecimentos” e a necessidade de decidir rapidamente contribuíram para o disparo.

A investigação, porém, registra que nenhuma faca estava com os irmãos naquele momento. Daniel estava dando socos em Anderson. Duas mulheres que tentavam separá-los também estavam na linha de tiro e, segundo o delegado, não foram atingidas “por pura sorte”.

“Totalmente despreparado”

Anderson confirmou que havia pegado uma faca durante uma discussão anterior. Disse ainda que já estava desarmado, como disse aos militares assim que eles chegaram.

Segundo ele, Daniel começou a lhe dar socos depois que a situação aparentemente estava controlada. Anderson ouviu um estampido e, ao se levantar, percebeu que o irmão havia levado um tiro no peito.

“Não teve nenhum cabimento” o disparo, afirmou. Anderson disse ainda que Ricardo demonstrou estar “totalmente despreparado para lidar com situação de tensão”, colocando em risco ele próprio e as duas mulheres que tentavam separar a briga.

Ricardo foi preso em flagrante por homicídio culposo, pagou fiança de R$ 2,5 mil e deixou a delegacia em liberdade. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

Daniel Narita deixa uma filha pequena.

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