Uma família de Rio Branco vive dias de angústia e mobilização contra o tempo para conseguir trazer de volta ao Acre o corpo de Karol Yoko, de 29 anos, falecida na Espanha. Morando há cinco anos no país europeu, a jovem foi vítima de um infarto fulminante. No entanto, o drama familiar intensificou-se devido ao atraso na notificação do óbito e à falta de suporte financeiro para o transporte do corpo.
Karol teve o último contato com os parentes no dia 12 de agosto. O corpo foi localizado dois dias depois, no dia 14, dentro do quarto de hotel onde residia, após o proprietário estranhar a sua ausência e arrombar a porta. Contudo, a família no Acre só foi oficialmente comunicada sobre o falecimento pela Interpol na terça-feira, 25 de agosto — dez dias após o paradeiro ter sido confirmado pelas autoridades locais.
Agora, a corrida é contra o relógio: os familiares dispõem de apenas seis dias para levantar os recursos necessários. Caso o translado não seja viabilizado no prazo estipulado pelas autoridades espanholas, o corpo de Karol será sepultado como indigente em solo europeu.
Falta de recursos e ausência de apoio público
O custo total do translado internacional do corpo está estimado em R$ 79 mil. Sem condições financeiras para arcar com a quantia e sem assistência do poder público, a família promove uma campanha de arrecadação online, mas até o momento obteve apenas R$ 9 mil — restando ainda R$ 70 mil para atingir a meta.
Em entrevista ao portal A GAZETA, nesta sexta-feira, 28, a irmã de Karol, Gecica Holanda, relatou a dificuldade de conseguir apoio institucional e o desespero diante do prazo exíguo.
“Até agora nós conseguimos só R$ 9 mil [dos R$ 79 mil necessários]. Nós temos só seis dias. Se não conseguirmos, ele [o corpo] é enterrado como indigente, mesmo com documentação e tudo, porque não tem familiar nem ninguém lá. Nós estamos correndo contra o tempo”, desabafou Gecica.
Gecica também criticou a falta de retorno das autoridades e de representantes políticos procurados pela família.
“Todo mundo virando as costas. A minha mãe é uma servidora pública, trabalha em hospital, e ela já foi no Fórum, pediu ajuda de tudo quanto é político. Ninguém responde ela, sem resposta nenhuma. E os dias estão se passando”, acrescentou.
Atualmente, o corpo de Karol Yoko permanece sob custódia do Instituto Médico Legal (IML) espanhol aguardando a definição do translado. A família segue pedindo doações e apoio de entidades para evitar o sepultamento como indigente e garantir o direito de realizar o velório em sua terra natal.

