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Homem é condenado a mais de 50 anos por matar companheira e tentar assassinar adolescente

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: A Gazeta do Acre. 30/07/2026 às 07:35

Quase um ano após o feminicídio que chocou Cruzeiro do Sul, Luiz Henrique da Silva, de 44 anos, foi condenado a 51 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, por matar a companheira, Maria Luceleide de Oliveira, de 57 anos, e tentar assassinar a neta da vítima, de 15 anos. O julgamento foi realizado nesta terça-feira, 28, pelo Tribunal do Júri.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 30 mil por danos morais à adolescente sobrevivente e de R$ 50 mil aos herdeiros de Maria Luceleide.

O crime ocorreu em outubro de 2025, na residência onde o casal vivia, em Cruzeiro do Sul. Conforme as investigações, o relacionamento, que durou mais de 20 anos, era marcado por episódios de violência doméstica e familiar.

Na noite do crime, Luiz Henrique atacou a companheira com um golpe conhecido como “mata-leão”, tentando asfixiá-la. Ao tentar defender a avó, a adolescente também foi atacada com uma faca. Em seguida, o agressor voltou a investir contra Maria Luceleide e desferiu 14 facadas em diferentes partes do corpo da vítima.

Maria Luceleide morreu ainda no local, antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Mesmo ferida, a adolescente conseguiu escapar, pedir ajuda e foi socorrida ao Hospital Regional do Juruá.

Após o crime, Luiz Henrique fugiu para uma área de mata no bairro Remanso, onde tentou se esconder. Horas depois, foi localizado durante um cerco realizado por equipes da Polícia Militar e preso em flagrante. Na delegacia, ele confessou o assassinato e alegou que foi por ciúmes.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu o feminicídio com as causas de aumento pelo emprego de meio cruel, pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e pela prática do crime na presença de um familiar. Os jurados também reconheceram a tentativa de feminicídio contra a adolescente.

A condenação foi obtida pelo Ministério Público do Acre (MPAC), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul.

Acre registra 93 feminicídios desde 2018

Dados do Feminicidômetro, plataforma do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero), do Ministério Público do Acre, mostram que entre janeiro de 2018 e 20 de julho de 2026 foram registrados 93 feminicídios e 158 tentativas de feminicídio no estado.

Somente em 2025, o Acre contabilizou 14 feminicídios, o maior número da série histórica. O estado também registrou a maior taxa proporcional do país, com 3,2 feminicídios para cada 100 mil mulheres, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O feminicídio é definido pela Lei nº 13.104/2015 como o assassinato de uma mulher em razão da condição do sexo feminino, quando envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição de mulher. Na maioria dos casos, é o desfecho de um ciclo de violência que pode incluir agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que presencie ou tenha conhecimento de casos de agressão pode buscar apoio pelos seguintes canais:

Em Rio Branco, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) funciona 24 horas por dia e está localizada na Via Chico Mendes, no Segundo Distrito da capital.

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