O condutor socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Rio Branco, Averaldo Azevedo, publicou nas redes sociais neste sábado (20) um vídeo em que relata o impacto emocional de um atendimento realizado durante um plantão. Segundo ele, a equipe foi acionada para atender uma criança de seis anos que teria sido vítima de violência sexual.
Averaldo conta que a ocorrência aconteceu por volta das 23h e que a equipe da viatura avançada era formada por três homens. Ao saber que se tratava de uma criança, a médica que acompanharia a ocorrência, identificada por ele como doutora Débora, decidiu ir pessoalmente ao atendimento. “Quando ela falou assim: ‘eu tô indo porque uma criança de 6 anos foi estuprada’, ela entrou na viatura surtada”, relatou o socorrista.
Segundo Averaldo, a médica explicou que havia decidido acompanhar a ocorrência porque inicialmente outro profissional faria o atendimento. Para ele, a decisão foi importante diante das circunstâncias. “Ela não podia querer entrar na viatura com seis homens. A experiência de um profissional fala mais alto do que qualquer coisa. E realmente a doutora Débora tinha razão”, afirmou.
Ao chegarem à UPA do Segundo Distrito, Averaldo conta que a criança demonstrou medo diante dos profissionais que estavam no local. Segundo ele, a menina usava uma roupa que cobria o corpo e permaneceu se protegendo enquanto estava na unidade. “Quando nós chegamos na UPA, que nós fomos atrás da criança, a criança olhou em nós e ela… seis anos, seis anos”, relatou.
O socorrista afirma que a médica permaneceu com a menina para conversar e tentar tranquilizá-la, enquanto ele e outro profissional deixaram a sala. “Eu vi a doutora conversando com ela, tentando distrair ela, conversando com ela”, contou.
Averaldo diz que, posteriormente, a criança voltou para perto da equipe e acabou correndo novamente para dentro da UPA, chorando. A reação da menina, segundo ele, foi um dos momentos que mais o marcou. “Ela conseguiu soltar na mão da doutora e correu pra dentro chorando da UPA. Aquilo me abalou tanto. Me revoltou tanto”, afirmou.
O profissional disse que a situação o fez lembrar de familiares e que ficou especialmente indignado ao perceber, segundo seu relato, que uma pessoa da família estaria tentando questionar a violência sofrida pela criança. “Eu lembrei da minha sobrinha, da minha neta. E a desgraçada de uma tia que tinha lá, querendo convencer que a menina não tinha sido violentada por alguém”, declarou.
Averaldo também criticou o que descreveu como uma tentativa de familiares de proteger o possível responsável pela violência. “E o que me dói é ver a família protegendo uma desgraça dessas. Não quer saber se é irmão, dessa tia, o que é que ele é. Não quer saber. Ele tem que pagar”, afirmou.
Para o socorrista, o episódio deixou marcas que vão além do momento do atendimento. “Tá lá uma criança arrebentada, seis anos. Isso é um trauma que fica na gente como profissional. Não apaga. Não tem como apagar”, disse.
Ele também relatou que levou a situação para casa e conversou com a companheira sobre o que havia acontecido. “Eu cheguei aqui e falei pra minha namorada o que tinha acontecido. Ela disse que tinha que castrar, que tinha que cortar o ‘pipe’ do cara”, contou.
A revolta com o caso também levou Averaldo a defender punições mais severas para crimes dessa natureza. “O nosso país tem que botar homens sérios, homens de compromisso com o nosso país. Tem muita lei, tem muita democracia, mas tem que ser mais rigoroso com quem não quer contribuir com o país, quem não quer obedecer a lei”, declarou.
O condutor socorrista encerrou o relato dizendo que espera que o responsável seja responsabilizado. “Esse desgraçado, a Justiça vai chegar nele. Se a Justiça dos homens não chegar nele, a de Deus vai chegar”, afirmou.

