O tenente da reserva da Polícia Militar do Acre, Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira, 17. Ele é acusado de matar a esposa, Ionara da Silva Nazaré, de 26 anos, a tiros dentro da residência da família, na presença das duas filhas do casal. A sessão ocorre no Plenário da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco.
A decisão de pronúncia, que determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri, apontou a existência de provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
O assassinato ocorreu na madrugada de 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco. Segundo a investigação, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal relacionada a questões financeiras, incluindo o pagamento de pensão alimentícia de um filho do acusado, de um relacionamento anterior.
Ainda conforme os elementos do processo, antes dos disparos, o militar teria quebrado objetos dentro da residência, entre eles televisão, celulares e um tablet. Em seguida, na varanda do imóvel, teria utilizado uma pistola calibre .40, pertencente à corporação, para atirar contra a esposa.
A decisão de pronúncia registrou que a vítima estava desarmada e em situação de vulnerabilidade no momento dos disparos, circunstância que pode caracterizar dificuldade de defesa.
Filhas presenciaram o assassinato
As duas filhas da vítima, de 3 e 7 anos, estavam na residência quando o crime ocorreu. O depoimento de uma delas, colhido por meio de escuta especial durante o processo, foi considerado um dos elementos de prova.
A criança relatou ter ouvido os disparos e visto a mãe caída no chão. Testemunhas também afirmaram que, logo após o crime, a filha mais velha apontou o pai como autor dos tiros.
Após o crime, o acusado teria fugido, mas posteriormente se apresentou à polícia. Inicialmente preso temporariamente, ele teve a prisão convertida em preventiva, mantida na decisão judicial.
Entre os fundamentos apresentados para a manutenção da prisão estão a gravidade do caso, o fato de o crime ter ocorrido dentro da residência familiar, na presença de crianças, e o uso de uma arma de fogo pertencente à corporação.
Acusação de feminicídio
O caso foi enquadrado como feminicídio, por ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar. A decisão também considera circunstâncias que podem aumentar a pena, como o fato de a vítima ser mãe de crianças e o crime ter sido cometido na presença das filhas.
O processo aponta ainda uma possível motivação considerada fútil, relacionada à discussão financeira entre o casal.

