O candidato ao Senado pelo partido Progressistas (PP), Gladson Camelí, já conta com um forte aporte financeiro para a disputa eleitoral deste ano no Acre. De acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados no final de agosto, a direção nacional do PP repassou R$ 3.030.000,00 (três milhões e trinta mil reais) diretamente para a conta da campanha de Camelí. O montante representa praticamente 95% do limite legal de gastos permitido para a disputa ao Senado no primeiro turno no estado, fixado em R$ 3.176.572,53.
Apesar da expressiva injeção de recursos públicos do fundo partidário, a campanha de Gladson Camelí atravessa um momento de indefinição no campo jurídico. A ficha do candidato no sistema DivulgaCandContas aponta que o seu registro de candidatura ainda se encontra na situação de “Aguardando Julgamento” perante o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC).
Já o demonstrativo de prestação de contas do candidato revela dados curiosos neste início de campanha oficial: 100% das receitas arrecadadas vêm de uma única fonte: a doação feita pela Direção Nacional do Progressistas. Não há registros de doações de pessoas físicas, arrecadação via internet ou uso de recursos próprios do candidato.
Outro detalhe que chama a atenção na prestação de contas é que, até a última atualização do sistema, a campanha ainda não havia lançado nenhuma despesa contratada ou paga. Ou seja, todo o montante de R$ 3,03 milhões recebido do fundo partidário permanece intacto na conta oficial da candidatura, aguardando os primeiros lançamentos de gastos com propaganda e serviços.
Instabilidade jurídica e a posição do Ministério Público Eleitoral
A situação de “Aguardando Julgamento” ganhou novos contornos após o Ministério Público Eleitoral (MPE) rejeitar os argumentos da defesa e pedir formalmente o indeferimento da candidatura ao TRE-AC. O órgão argumenta que a condenação imposta a Gladson pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – com pena de 25 anos e 9 meses por peculato-desvio, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa – enquadra o ex-governador na Lei da Ficha Limpa.
Por outro lado, a defesa nega a inelegibilidade alegando que a decisão não passou por uma segunda instância e cita recursos pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o encerramento da fase de produção de provas pelo relator, o processo foi enviado para a decisão final do Plenário do TRE-AC, que julgará os pedidos da defesa e do MPE. Caso o registro venha a ser negado pelos juízes eleitorais, os advogados de Gladson já solicitaram de forma alternativa que ele permaneça na disputa na condição de candidato sub judice, o que garantiria a continuidade de sua campanha nas ruas e no horário eleitoral enquanto recorre às instâncias superiores.

