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Mãe denuncia agressão contra filho com TDAH em escola no Acre e cobra justiça

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: AC24horas. 06/09/2026 às 07:27

A mãe de um estudante de 10 anos denunciou uma suposta agressão sofrida pelo filho dentro da Escola Estadual Ilka Maria de Lima, no bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco. Mais de dois meses após o episódio, ocorrido em 24 de junho, ela afirma que o caso ainda não teve uma resposta satisfatória e decidiu transferir o menino de escola nesta quinta-feira (4). Consultada pelo ac24horas, a Secretaria de Estado de Educação do Acre afirmou que, por não se tratar de servidor do quadro do Estado, não cabe à pasta a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra o profissional e a ocorrência foi encaminhada às autoridades competentes para as providências pertinentes.

O caso foi registrado no Boletim de Ocorrência nº 00050849/2026-A02 como lesão corporal dolosa. O procedimento contém os depoimentos da criança, da mãe e do funcionário apontado como suposto agressor, além de imagens do circuito interno da escola e um laudo médico do estudante.

Em entrevista ao ac24horas, a mãe, Katerini Gabriele Lima Tavares, cobrou providências e afirmou que o filho passou a enfrentar dificuldades para retornar à escola após o episódio. “Eu quero justiça, porque o diretor e o agressor estão vivendo de boa. Meu filho tem laudo, tem Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ele está em investigação de dislexia e não quer ir para aula. Eu troquei ele de escola hoje por conta disso. Na escola ficam pressionando ele, dizendo que ele está mentindo, que ele está inventando, ele chega em casa chorando. E eu quero justiça, e nada foi feito, nada. Registrei o BO dia 24 de junho, hoje é 4 de setembro e nada foi feito, nada”, afirmou.

Foto: peito da criança tem marcas vermelhas I Katerini Gabriele/cedida

Criança relatou ter sido arrastada e recebido um tapa

O episódio ocorreu no horário da refeição escolar. Em depoimento prestado à Polícia Civil no dia 25 de junho, o menino relatou que estava sentado no refeitório com outros colegas quando houve uma situação envolvendo outro aluno.

Segundo o termo de informação, o estudante afirmou que o inspetor Paulo Roberto Magalhães Ferrari determinou que um outro aluno deixasse o local e, em seguida, teria retirado Davi de forma violenta. “Quanto a ele, o arrastou para a sala de coordenação de modo violento e ainda lhe deu um tapa na região torácica”, registra o depoimento da criança.

O menino também relatou que chegou em casa chorando e contou o que havia acontecido ao irmão mais velho, que entrou em contato com a mãe. A Polícia Militar foi acionada posteriormente.

No atendimento à ocorrência, a mãe apresentou aos policiais uma fotografia que mostraria uma vermelhidão na região do tórax do filho. No entanto, segundo o boletim, quando a guarnição verificou a criança, a vermelhidão já não estava mais visível.

Câmeras registraram contato físico, mas não o suposto tapa

Os policiais também analisaram imagens do circuito interno de segurança da escola.

Segundo o boletim de ocorrência, as gravações mostram o estudante durante a fila do almoço e o funcionário tentando reposicioná-lo e conduzi-lo. A polícia registrou que houve contato físico entre o funcionário e a criança durante a condução até a coordenação. Entretanto, de acordo com o relato da Polícia Militar, a suposta agressão narrada pela criança não foi visualizada nas imagens analisadas pela guarnição.

Veja o vídeo:

O material, incluindo a fotografia apresentada pela mãe e o vídeo analisado pelos policiais, foi submetido ao COPOM para encaminhamento ao delegado plantonista, que deveria avaliar a existência ou não de situação de flagrante.

A mãe e o filho chegaram a ser levados ao Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Nucria), mas a equipe policial foi informada de que o caso deveria ser direcionado à delegacia responsável pela área onde os fatos ocorreram. O boletim foi encaminhado à 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil para apreciação da autoridade policial.

Inspetor admite ter retirado aluno à força, mas nega agressão

Em declaração prestada à Polícia Civil no dia 26 de junho, o inspetor Paulo Roberto Magalhães Ferrari confirmou que retirou o estudante à força do refeitório, mas negou ter cometido qualquer agressão.

Segundo seu depoimento, o menino apresentava comportamento alterado, gritando e perturbando o ambiente. O funcionário afirmou que o estudante recebeu ordem para deixar o local, mas não obedeceu.

O inspetor declarou que a situação o levou a retirar o menino “à força da mesa do refeitório”, carregando-o até a sala dos professores. Ele também relatou ter sido ofendido pela criança durante o episódio.

Apesar de admitir a condução física do aluno, Paulo Roberto negou ter dado o tapa relatado pelo estudante. “Em momento algum agrediu o menor”, sustentou em seu depoimento. O funcionário ainda afirmou que pretendia registrar uma ocorrência por falsa comunicação de crime. Já o diretor da escola, Jorge Roberto, informou à Polícia Militar que o servidor não possuía histórico de comportamento violento ou de má conduta funcional.

Laudo aponta TDAH grave e necessidade de acompanhamento especializado

O procedimento também contém um laudo médico emitido em outubro de 2025 pela neuropediatra Larissa Maria de Vito Pimenta. O documento aponta que Davi possui diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), de apresentação combinada e gravidade atual grave. O estudante também possui diagnóstico de enurese noturna e Transtorno Opositivo-Desafiador, de gravidade moderada.

A médica recomendou, entre outras medidas, a disponibilização prioritária de professor mediador no ambiente escolar, atendimento educacional especializado, adaptações previstas em plano educacional individualizado e acompanhamento com psicóloga, psicopedagoga, neuropediatra e pediatra.

Na última sexta-feira (4), mais de dois meses depois do episódio, Katerini decidiu retirar o menino da escola onde os fatos ocorreram.

Ela afirma que o filho não queria mais frequentar as aulas e passou a chegar em casa chorando, alegando que estaria sendo pressionado por pessoas da escola e acusado de inventar a denúncia.

O procedimento parcial ao qual a reportagem teve acesso registra as providências iniciais tomadas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, incluindo as oitivas realizadas nos dias seguintes ao fato. A mãe, no entanto, afirma que até esta quinta-feira (4) ainda não recebeu uma resposta que considere satisfatória para o caso. “Eu quero justiça”, resumiu.

Veja a nota encaminhada pela Secretaria de Estado de Educação do Acre:

Nota de esclarecimento

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), informa que tomou conhecimento, por meio da gestão da Escola Estadual Ilka Maria de Lima, da ocorrência envolvendo um estudante e um trabalhador terceirizado da unidade, registrada no dia 24 de junho. Na ocasião, o policiamento escolar foi acionado e o caso encaminhado à delegacia para os procedimentos cabíveis.

Assim que comunicada, a SEE notificou a empresa responsável pela contratação do trabalhador terceirizado, que realizou o seu desligamento. Por não se tratar de servidor do quadro do Estado, não cabe à Secretaria a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra o profissional. A ocorrência foi encaminhada às autoridades competentes para as providências pertinentes.

A SEE permanece à disposição da família para prestar o apoio necessário e reforça que situações que envolvam a integridade e a segurança dos estudantes são tratadas com seriedade, observando os procedimentos adequados e as competências dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.

Reginaldo Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura

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