Quarenta e quatro pessoas foram denunciadas por envolvimento com organização criminosa e associação para o tráfico de drogas no Acre. A acusação é um desdobramento das investigações que resultaram na Operação Colapso, deflagrada em 24 de agosto.
Segundo o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), entre os denunciados, 17 não foram localizados durante o cumprimento das medidas judiciais e são considerados foragidos.
A investigação teve início a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos em operações anteriores. De acordo com o Gaeco, os dados extraídos dos dispositivos permitiram identificar informações relacionadas à atuação de integrantes da organização criminosa e a pontos de comercialização de drogas.
Durante a apuração, os investigadores identificaram uma relação com 297 pontos de venda de drogas, contendo informações sobre possíveis responsáveis e valores de mensalidades atribuídas aos locais. Os dados foram cruzados com informações obtidas de outros celulares apreendidos e submetidos à perícia.

Operação cumpriu 75 mandados
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, foram solicitadas medidas cautelares que resultaram na Operação Colapso, realizada em conjunto com a Polícia Militar do Acre (PMAC).
Ao todo, foram cumpridos 75 mandados judiciais, sendo 44 de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão. As ações ocorreram em municípios do Acre e em Goiânia, em Goiás.
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 15 mil, cerca de 50 munições, drogas, um veículo e outros materiais.
17 pessoas não foram localizadas
A denúncia aponta que os 44 investigados teriam exercido diferentes funções dentro da estrutura criminosa. As acusações incluem participação em organização criminosa e associação para o tráfico de drogas.
Em alguns casos, também foram atribuídos crimes como tráfico de drogas e posse ilegal de munição. A acusação considera ainda causas de aumento previstas na legislação relacionadas ao emprego de armas de fogo, à participação de crianças e adolescentes e à conexão com outras organizações criminosas.
Em relação aos 17 denunciados que não foram localizados, o MPAC pediu o desmembramento do processo e a formação de autos próprios. A medida busca evitar que a ausência deles atrase o andamento da ação em relação aos demais acusados, mantendo o compartilhamento dos elementos de prova comuns.
A denúncia não representa condenação. Os acusados ainda terão direito à defesa e ao contraditório durante o processo.
Perícias ainda estão em andamento
Bens, aparelhos eletrônicos, substâncias e outros materiais apreendidos durante a operação foram encaminhados para exames periciais. Parte das análises ainda não foi concluída, e os respectivos laudos deverão ser anexados ao processo posteriormente.
O MPAC pediu à Justiça o recebimento da denúncia e o prosseguimento da ação penal. O órgão também solicitou autorização para compartilhar as provas com grupos especializados e com as polícias Civil, Militar e Federal, devido à relação dos elementos reunidos com outras investigações sobre crime organizado.



