O Banco Central (BC) estuda novas formas de ampliar o uso do Pix, incluindo a criação de um modelo de Pix internacional e a possibilidade de utilizar recebíveis de pagamentos instantâneos como garantia em operações de crédito.
As iniciativas fazem parte da agenda futura da autoridade monetária e foram apresentadas na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, divulgada nesta segunda-feira (10). O documento apresenta um balanço da evolução do sistema entre 2023 e 2025 e aponta os próximos passos para ampliar suas funcionalidades.
Pix internacional está em estudo
Uma das propostas é integrar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. Segundo o BC, a medida poderia permitir remessas internacionais e compras no exterior com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos.
Atualmente, operações desse tipo dependem de mecanismos intermediários, com conversão de moedas e liquidação fora da infraestrutura do Pix.
“O BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições”, afirma o relatório. A autoridade considera tanto acordos diretos entre países quanto a participação em estruturas que conectem diferentes sistemas.
Pix pode ser usado como garantia de crédito
Outra frente analisada pelo BC é a utilização de recebíveis futuros de Pix como garantia para financiamentos.
A proposta permitiria que empresas que recebem grande parte de suas vendas pelo sistema utilizassem esses valores futuros para obter crédito. Segundo o Banco Central, a medida pode ampliar o acesso a financiamentos e reduzir custos para os usuários.
Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025
O relatório destaca a consolidação do Pix como uma das principais infraestruturas de pagamentos do país.
Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, que movimentaram mais de R$ 35 trilhões. O sistema foi utilizado por cerca de 148 milhões de pessoas físicas e 12 milhões de empresas ao longo do ano.
Atualmente, existem mais de 920 milhões de chaves Pix cadastradas, vinculadas a mais de 162 milhões de pessoas e mais de 16 milhões de empresas.
Novas funções e segurança
Entre as funcionalidades lançadas recentemente estão o Pix Automático, que permite pagamentos recorrentes com uma única autorização, o Pix por aproximação e recursos integrados ao Open Finance.
O BC também vem adotando medidas para aumentar a segurança do sistema e combater fraudes. Entre elas estão o aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), o bloqueio cautelar de valores suspeitos e o compartilhamento de informações sobre possíveis fraudadores entre instituições financeiras.
A autoridade também acompanha o uso indevido dos campos de mensagens das transações, que podem ser utilizados por criminosos para aplicar golpes.
Próximos passos
Para os próximos anos, o Banco Central prevê ainda a padronização de cobranças que permitam o pagamento por boleto ou Pix e o avanço de funcionalidades que possibilitem o uso do sistema mesmo sem conexão com a internet.
Segundo o BC, a estratégia é ampliar os casos de uso do Pix e consolidá-lo como uma infraestrutura pública digital capaz de sustentar novos serviços e modelos de negócio no sistema financeiro.

