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Huawei lança celular de US$ 3 mil às vésperas da estreia do iPhone dobrável

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: O Globo. 07/09/2026 às 15:03

A Huawei e a Xiaomi estão elevando a disputa no mercado chinês de smartphones poucos dias antes da estreia da Apple na categoria de aparelhos dobráveis. A Huawei apresentou nesta segunda-feira a versão mais recente de seu aparelho ultrapremium com três partes dobráveis, o Mate XT 2, que tem dois mecanismos de dobra.

Sucessor do Mate XT, lançado há dois anos, o novo dispositivo tem engenharia mais complexa e também ficou mais caro: custa 19.999 yuans (US$ 2.980), cerca de 10% a mais. Richard Yu, chefe da divisão de consumo da empresa, afirmou que a alta do custo se deve, em parte, à dificuldade crescente para adquirir chips de memória.

Em outro sinal de como a escassez desses componentes afeta as especificações, a versão mais básica do Mate XT 2 — que funciona como um smartphone comum, mas pode ser aberto e se transformar em um tablet de 10,2 polegadas — tem 16 GB de memória e 256 GB de armazenamento, quantidades relativamente modestas para um produto premium.

O novo dobrável é importante por inaugurar a filosofia de design de chips LogicFolding da Huawei. Seu processador Kirin 9050 Pro é o primeiro chip desenvolvido dentro desse programa. He Tingbo, chefe da área de semicondutores da Huawei, apresentou no início deste ano esse caminho alternativo para o desenvolvimento de chips de ponta, criado para contornar as restrições lideradas pelos Estados Unidos que impedem o acesso da companhia a ferramentas avançadas de litografia.

Antes do lançamento do aparelho, He publicou um artigo no qual afastou preocupações de que a tecnologia pudesse provocar superaquecimento e afirmou que o novo chip reduziu significativamente o consumo de energia.

— O chip apresentou temperatura mais baixa que seu antecessor, embora tenha 55% mais transistores por milímetro quadrado, e reduziu em até 66% o consumo de energia em algumas tarefas importantes — escreveu He no artigo.

O Mate XT 2 estará disponível para compra na China a partir de sábado.

Mais tarde, naquela noite, Lei Jun, CEO da Xiaomi, apresentou o Xiaomi 18 Fold, outro dobrável desenvolvido na China, em um momento em que fabricantes locais buscam maior autossuficiência.

Com preço inicial de 10.999 yuans na versão de 256 GB, o aparelho usará memória da fabricante chinesa CXMT e o processador Xring O3, da Xiaomi. O modelo tem um formato semelhante ao de um passaporte, parecido com o que se espera do primeiro iPhone dobrável da Apple.

— Neste momento, a memória está muito cara. Portanto, nosso preço não é baixo, mas o produto certamente oferece uma boa relação custo-benefício — afirmou Lei durante um evento luxuoso em Pequim que reuniu mais de 3 mil pessoas.

O movimento defensivo de duas das principais marcas chinesas destaca, ao mesmo tempo, a ameaça e a oportunidade representadas pela entrada da Apple no segmento de dobráveis, ainda de nicho, mas premium. John Ternus, novo CEO da Apple, deverá apresentar um iPhone dobrável na quarta-feira, marcando o início da maior sequência de lançamentos de aparelhos da história da empresa.

Com preço estimado em mais de US$ 2 mil, o modelo de iPhone deverá atrair mais atenção para esses aparelhos, vendidos há anos por fabricantes chinesas e pela Samsung, líder global em remessas. Na China, os dobráveis têm sido um ponto de resistência em um mercado que, no restante, está em retração.

— A Apple tem a maior base instalada de aparelhos premium do mundo. Seu dobrável venderá bem e conquistará participação de mercado rapidamente — afirmou Ivan Lam, analista da Counterpoint.

Ele espera que o novo aparelho estimule uma adoção mais ampla entre os consumidores, com efeitos que também aumentarão a demanda pelos dispositivos das concorrentes.

O lucro da Xiaomi caiu por três trimestres consecutivos, enquanto a empresa buscava reduzir as remessas de aparelhos mais baratos e pouco lucrativos. A Huawei, embora ainda registre crescimento nas remessas, também teve queda no lucro no primeiro semestre, em parte porque foi obrigada a acumular mais componentes para se proteger da alta dos custos das memórias.

A Huawei se juntou à Xiaomi e à Honor Device em uma nova rodada de reajustes de preços no início deste mês, segundo o veículo local Jiemian.

O mercado de smartphones caminha para a maior contração já registrada neste ano, com previsão de queda de 14% nas remessas, segundo dados da Counterpoint. As fabricantes chinesas estão entre as mais atingidas devido à forte exposição aos aparelhos de baixo custo, que têm menor capacidade de absorver a disparada dos preços dos componentes. Para escapar desse aperto e elevar os preços de venda, a maioria das marcas agora promove intensamente suas linhas premium, como os dobráveis.

Lançar os aparelhos dois dias antes do grande evento de produtos da Apple, marcado para quarta-feira, dá às marcas a oportunidade de ocupar os holofotes, ainda que momentaneamente. A Apple poderá conquistar um quarto do mercado global de dobráveis neste ano e assumir a liderança no próximo, com participação de 41%, segundo projeções da Smart Analytics Global.

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