O IPCA de setembro deve apresentar alta expressiva, refletindo o fim dos descontos temporários na conta de energia elétrica do bônus de Itaipu. A mediana das projeções dos economistas aponta inflação de 0,75% no mês e de 4,50% no acumulado em 12 meses, no teto da meta. Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%.
Carlos Lopes, economista do banco BV, projeta alta de 0,78%, o que representaria uma aceleração da inflação acumulada em 12 meses, de 4,22% para 4,53%. Para ele, o resultado deve mostrar uma reversão da trajetória de queda tanto da inflação dos núcleos quanto do componente de serviços.
– O principal fator de pressão é a reversão do bônus de Itaipu. Mas pode haver uma pressão maior em produtos in natura e em carnes. Isso também deve contribuir para um IPCA mais alto.
Fábio Romão, economista sênior da consultoria 4intelligence, projeta alta de 1,25% na alimentação no domicílio, após a deflação de agosto. A previsão considera aumentos nos grupos de cereais, leguminosas e oleaginosas, principalmente devido ao arroz; hortaliças e verduras, com fortes altas do tomate e da batata-inglesa; açúcares e derivados; carnes; leites e derivados; panificados; e óleos e gorduras. A projeção também contempla uma deflação menos intensa em bebidas e infusões.
Segundo Romão, a projeção considera que os efeitos do El Niño devem ocorrer inicialmente de forma indireta. Mas, o IPCA já pode mostrar algum sinal de pressão. Daqui para a frente, o impacto pode ficar mais evidente. Com as pressões esperadas do fenômeno climático, a alimentação no domicílio pode registrar altas mensais até o fim de 2026, com o movimento se estendendo aos primeiros meses de 2027.
Além de alimentação e habitação, Romão espera aceleração nos preços de vestuário, impulsionados pela entrada da nova coleção; transportes, refletindo aumentos nas passagens aéreas, na gasolina, no etanol, no diesel e nos serviços de transporte por aplicativo; e comunicação.



