O meia Lucho Acosta, do Fluminense, está sendo investigado por uma suposta manipulação esportiva após um relatório da empresa SportRadar, contratada pela CBF, registrar um alto volume de apostas em um cartão amarelo para o jogador na partida contra o Bragantino, no dia 17 de julho, pela 19ª rodada do Brasileirão.
Uma casa de apostas identificou o fluxo incomum e avisou à SportRadar, que monitora o Brasileirão e repassou o alerta para a CBF. A agência é responsável por mapear as movimentações nos sites esportivos de jogos nacionais e estaduais e comunicar as entidades quando encontra aquelas fora do padrão.
As partidas são consideradas suspeitas pela empresa a partir do momento em que é identificada uma movimentação anormal de apostas nos sites. Pode ser o número de escanteios no primeiro tempo, o número de gols, um cartão amarelo, etc. Ou seja, a investigação parte da observação de um número incomum de apostas, e não de um suposto comportamento estranho de um jogador.
Mas nem mesmo o volume alto de apostas é suficiente para cravar uma manipulação, já que algumas delas podem ser explicadas por fatores externos — por exemplo, quando um time decide usar jogadores reservas e, por isso, perde o favoritismo em uma partida. É preciso apuração tanto dos órgãos esportivos quanto dos criminais. Assim que a CBF recebe os relatórios, há um procedimento padrão de encaminhamento para as autoridades desportivas tomarem as providências. Suspeitas sobre partidas de torneios nacionais são repassadas ao STJD e, nos casos de Campeonatos Estaduais, para as respectivas federações, que enviam aos seus Tribunais de Justiça Desportiva.
No episódio envolvendo de Lucho Acosta, por exemplo, a Polícia Federal, o Ministério Público e o STJD já foram avisados da investigação.
Além disso, a SportRadar disponibiliza o banco de dados gerado por este trabalho de monitoramento para os órgãos de investigação. A agência também trabalha em parceria com Conmebol, Uefa, NBA, MLS e outras organizações.
O caso de Lucho Acosta
O Fluminense recebeu uma notificação da CBF, na última segunda-feira, informando que o meia Lucho Acosta está sendo investigado após um alerta da SportRadar. O argentino foi advertido com o cartão amarelo nos minutos finais da partida contra o Bragantino em uma confusão que gerou a expulsão de John Kennedy, do tricolor, e Agustín Sant’Anna, do clube paulista.
Em nota, o Fluminense confirmou ter sido notificado. Acosta nega envolvimento e segue treinando e sendo relacionado normalmente enquanto as investigações estiverem em curso.
Na súmula, o árbitro Davi de Oliveira Lacerda justificou o cartão pelo jogador “atuar de maneira a mostrar desrespeito ao jogo – Por empurrar seu adversário de maneira temerária fora da disputa de bola”. No documento, ainda consta nas observações que houve acréscimo por “confusão generalizada entre as equipes”.
O meia tricolor chegou a ser julgado no STJD pela confusão, mas foi absolvido ao lado de Freytes, que também esteve envolvido no conflito. Já John Kennedy pegou gancho de dois jogos.



