O River Plate se consolidou como potência financeira da América do Sul e deu enorme demonstração de força nesta semana ao vencer a concorrência do Flamengo por Thiago Almada. A ascensão econômica que faz jus ao apelido Millonario tem dois pilares: a exploração comercial do ampliado Monumental de Núñez e o programa de sócios.
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O clube de Núñez investiu US$ 68,45 milhões (R$ 350,37 milhões) nos nove reforços recém-contratados. Almada passa a ser o jogador mais caro da história do futebol argentino. Veja quanto o River gastou em cada um dos reforços abaixo, segundo apuração do canal TyC Sports.
- Thiago Almada (meia) – US$ 23 milhões (R$ 177,76 milhões)
- Ángel Correa (meia-atacante) – US$ 15 milhões (R$ 76,78 milhões)
- Lucas Beltrán (centroavante) – US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões) pelo empréstimo junto à Fiorentina e futuros US$ 7,2 milhões (R$ 36,85 milhões) da obrigação de compra exigida ao término do período de cessão.
- Tobias Andrada (meio-campista) – US$ 7,4 milhões (R$ 37,88 milhões)
- Mauro Arambarri (meio-campista) – US$ 7 milhões (R$ 35,8 milhões)
- Borré (atacante) – US$ 2,5 milhões (R$ 12,8 milhões)
- Giovanni González (lateral-direito) US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões)
- Otamendi (zagueiro) – livre
Antes da contratação de Almada, o site Transfermarkt, portal especializado em transferências, avaliava o elenco do River Plate em aproximadamente R$ 825 milhões. Com a chegada do ex-botafoguense, tal quantia supera a cifra de R$ 1 bilhão.
Faturamento superior a R$ 1 bilhão
Detalhado nos balanços mais recentes do clube, o faturamento anual foi de US$ 217,7 milhões (R$ 1,23 bilhão), número que o coloca no páreo com Flamengo e Palmeiras, os dois brasileiros mais ricos na atualidade.
O clube conseguiu equilíbrio fiscal que lhe permitiu um superávit anual de R$ 196 milhões. O fluxo de caixa foi composto por diferentes receitas: R$ 309,7 milhões com a vaga para a Copa de Clubes da Fifa, jogada em 2025; R$ 297 milhões com o programa de sócio-torcedor, o maior da América do Sul, com 300 mil associados; R$ 231 milhões com patrocínios, R$ 207 milhões com vendas de jogadores, R$ 80 milhões com operação de estádio e museu, além de R$ 71,4 milhões decorrentes dos direitos de televisionamento.
Diferentemente do que acontece no Brasil, os direitos de transmissão representam a menor fatia dos ganhos anuais do River. A última ampliação do Monumental de Ñúnez, em fevereiro de 2023, quando passou a ter capacidade para 85 mil pessoas, alavancou as receitas do Millonario. Isso será potencializado com a nova reforma, iniciada em abril e com prazo para conclusão estimado em três anos. Terminada a ampliação, o Monumental poderá receber 101 mil pessoas.
– A força da torcida, a capacidade de geração de receitas do maior estádio da América do Sul e o histórico de negociações de jogadores para os principais mercados do mundo permitem ao River Plate competir financeiramente em alto nível, mesmo diante de equipes com maior poder de investimento, como Palmeiras e Flamengo. É um exemplo de como planejamento, estrutura e valorização das categorias de base podem transformar um clube em uma potência econômica e esportiva – afirma Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento anual que reúne clubes, entidades, empresas e profissionais ligados ao futebol.
Sócio-torcedor forte
Com 352 mil sócios ativos de acordo com relatórios da Associação de Futebol Argentino (AFA), o clube garante um faturamento recorrente de R$ 253,6 milhões anuais. Tal quantia se refere apenas a mensalidades. A força e a fidelidade da torcida millonaria têm como marco maior a média de 84.782 espectadores por partida. Além disso, o clube recentemente superou mais de 100 partidas consecutivas com lotação máxima.
– O que se passou com o River Plate será em poucos anos referenciado como um exemplo de exceção, em um mercado que foi política e economicamente dilapidado por duas décadas. Transformam um estádio obsoleto no seu grande diferencial, incorporando ao fluxo de caixa presente, créditos futuros, inimagináveis anos atrás – diz Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.
Exploração comercial do Monumental
Transformar o Monumental de Ñúnez em polo de entretenimento foi a virada de chave para o River Plate, que fez parceria de US$ 110 milhões (aproximadamente R$ 558 milhões) com a gigante mundial do entretenimento Live Nation, em conjunto com as produtoras DF Entertainment e Dale Play Live.
O contrato de exclusividade de 10 anos possui as seguintes bases financeiras: a Live Nation pagará US$ 30 milhões fixos exclusivamente para gerenciar os direitos de nome da arena. Outros US$ 80 milhões adicionais fixados são destinados para realização de grandes shows de música. O plano prevê um mínimo de 12 megaeventos anuais, com cláusulas de divisão de lucros excedentes caso a meta desses concertos seja superada.
– Além de ser um palco histórico do futebol mundial, o Monumental de Núñez possui uma estrutura completa para o torcedor. Já comandamos diversas operações no estádio, inclusive na final da Libertadores de 2024. É um local que oferece muitas facilidades e que possibilita a criação de diferentes experiências no universo da hospitalidade esportiva”, destaca Joaquim Lo Prete, country manager da Absolut Sport no Brasil, agência multinacional de hospitalidade esportiva e parceira oficial da Conmebol desde 2022.
O principal, porém, vem da reforma de restaurantes, camarotes e estacionamento. Posicionados entre arquibancadas superiores e inferiores, tiveram suas capacidades aumentadas, e os espaços foram modernizado. Um desses ambientes, cujo nome é “Banda”, tem vista privilegiada para o gramado e mais 700 metros quadrados.

