Dez anos após iniciar o protesto que abalou o esporte americano, Colin Kaepernick afirmou que a NFL continua a boicotá-lo por suas posições políticas e chamou a resposta da liga às alegações de racismo de “falsa”. Em uma rara entrevista à NBC News, o ex-quarterback do San Francisco 49ers afirmou que não vê motivos para se reconciliar com uma organização que, em sua opinião, nunca assumiu a responsabilidade pelo tratamento dado aos jogadores que protestaram contra a injustiça racial.
“Não vou apoiar uma organização que, primeiro, está ativamente me boicotando e, segundo, está perseguindo meus companheiros que também protestaram como parte disso”, disse Kaepernick.
O ex-líder ofensivo dos 49ers, que levou a franquia ao Super Bowl em 2013, não joga uma partida da NFL desde o final da temporada de 2016. Sua saída coincidiu com a controvérsia gerada pelos protestos que iniciou durante a execução do hino nacional dos EUA, uma decisão que o transformou em um dos símbolos mais visíveis do ativismo esportivo em seu país.
Agora, aos 38 anos, Kaepernick retorna ao centro do debate com a publicação de “The Perilous Fight” (“A Luta Perigosa”, em tradução livre), obra que é em parte autobiografia e em parte manifesto político.
Bloqueado “de cima”
No livro, ele revela que a ideia de se ajoelhar durante o hino antes de um jogo em setembro de 2016 surgiu de uma conversa com seu então companheiro de equipe, Eric Reid. Até então, Kaepernick já havia recebido críticas por permanecer sentado durante a cerimônia pré-jogo, mas buscava uma forma de protesto mais visível. O gesto acabou sendo replicado por dezenas de jogadores dentro e fora da NFL, embora ele tenha permanecido o principal alvo de críticas, inclusive de Donald Trump.
“Depois de conquistar um Super Bowl, um título da NFC e quebrar recordes, nenhuma equipe quis me contratar, nem mesmo para um teste?”, questionou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/b/x/voPz63Tx26XQYomrHTcw/whatsapp-image-2026-09-02-at-05.40.57.jpeg)
Segundo o ex-quarterback do San Francisco 49ers, vários treinadores demonstraram interesse em contratá-lo, mas acabaram sendo “impedidos por superiores”. Kaepernick também relembrou que, durante uma reunião com o Seattle Seahawks em 2017, foi repetidamente questionado sobre suas opiniões políticas.
“O que, em praticamente qualquer ambiente fora da NFL, seria motivo para um processo judicial imediato”, afirmou.
A NFL se defende
As críticas do atleta também se estendem à resposta da NFL aos protestos em massa desencadeados pela morte de George Floyd em 2020, que foi sufocado por um policial em Minneapolis. Kaepernick acredita que as declarações subsequentes do comissário da NFL, Roger Goodell, foram uma reação à pressão pública, e não uma mudança genuína.
“Há anos que tentamos resolver o problema que a NFL criou ao me colocar na lista negra. Vir a público dizer que deveríamos ter escutado depois disso, enquanto ainda tento jogar ativamente na NFL, é puro teatro.”
A NFL respondeu à NBC News que as questões levantadas por Kaepernick continuam importantes para a liga e destacou os programas implementados por meio da iniciativa Inspire Change. No entanto, o jogador, que está sem contrato, afirma que ainda não vê nenhuma mudança real.
“Nenhuma das ações deles demonstra isso”, declarou.



