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Federações da Uefa anunciam boicote à Copa do Mundo e a torneios da Fifa

As 55 federações nacionais que integram a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) aprovaram por unanimidade, nesta quinta-feira (30), o boicote à Copa do Mundo e às demais competições organizadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), caso a entidade mantenha o plano de vender participações em seus torneios a investidores privados.

A medida é uma resposta à proposta apresentada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, que prevê a criação de uma subsidiária para administrar as competições e permitir a entrada de capital privado. Na última terça-feira (28), a Fifa deu prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o projeto. Segundo a entidade, quem rejeitar a proposta poderá perder até 75% do financiamento previsto no novo modelo.

Em comunicado, a Uefa afirmou que nenhuma seleção europeia disputará competições da Fifa enquanto o plano permanecer em vigor. A confederação argumenta que a Copa do Mundo “não está à venda” e critica a falta de diálogo na elaboração da proposta, além de afirmar que a entrada de investidores colocaria interesses financeiros acima das decisões esportivas.

Caso o impasse continue, o primeiro torneio afetado poderá ser a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que começa em 5 de setembro, na Polônia. Na sequência, as seleções europeias também podem ficar fora dos playoffs das Eliminatórias da Copa do Mundo Feminina, previstos para outubro.

Veja a nota na íntegra:

“A Uefa e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da Fifa como guardiã do futebol mundial.

As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma “decisão democrática”, mas sim uma governança pela intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial.

Mas a nossa oposição vai muito além dos processos. No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da Fifa, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.

Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.

A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.

Ninguém deve ter dúvidas: a Uefa e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.

Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.
Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda.”