Desde o meio de 2024, quando Kylian Mbappé chegou ao Santiago Bernabéu, há dúvida se existe uma forma de escalar o Real Madrid de forma equilibrada. As presenças de Vinícius Junior e Jude Bellingham, dois craques que também têm status acima dos demais na equipe, complicam isso.
Foi uma questão para Carlo Ancelotti, Xabi Alonso, Álvaro Arbeloa e, agora, José Mourinho. O técnico português, em entrevista coletiva antes do confronto com a Real Sociedad nesta quarta-feira (26), foi questionado sobre essa pauta novamente.
Qualidade do trio do Real Madrid compensa deficiência, diz Mourinho
O encaixe do trio voltou à tona logo depois da estreia merengue em LaLiga contra o Espanyol, no último sábado (22). A equipe da capital espanhola venceu por 2 a 1 e viu Bellingham, com gol de cabeça e boas arrancadas atuando como camisa 10, ser o único grande destaque entre eles.
Para Mourinho, atletas com qualidade técnica acima nunca são problemas. Ele relembrou as equipes com elenco mais modesto que treinou nos últimos anos, como Benfica, Fenerbahçe e Roma. “O mais complicado é quando você não tem jogadores de nível top ou quando, ao primeiro problema que aparece, com uma lesão ou uma suspensão, já não há jogadores capazes de manter o nível”, disse.
— Esse é o maior problema que um treinador pode ter, e eu o tive nos últimos anos porque não estive propriamente nos melhores times da Europa — explicou.
Ao não ter essa questão no Real Madrid, o técnico português garante que quer contar com craques do calibre de Vinícius Junior, Mbappé e Bellingham, porque uma possível deficiência defensiva é superada pelo que podem entregar.
— Se você me perguntar se eu quero os três ou se preferiria apenas dois, eu quero os três e penso que o que eles têm de positivo compensa muito aquilo que, eventualmente, pode não ser tão fácil de encaixar taticamente. Estou aqui para tentar ajudar com algum tipo de decisão que possa ser tomada — cravou.
Como funcionaram Vinicius Júnior, Mbappé e Bellingham contra Espanyol
A primeira versão oficial de Mourinho teve um papel defensivo bem menor do trio. Em muitos momentos, a equipe se fechava no campo de defesa em uma formação próxima de um 4-3-1-2, deixando apenas os craques mais à frente com menos obrigações de marcação.
Isso, inclusive, gerou problemas de recomposição, pois Bernardo Silva, Arda Güler e Fede Valverde, os três do meio-campo, precisaram se desdobrar em fechar o centro e o lado do campo. A pressão alta no campo de ataque também foi problemática, caminho que o Espanyol superou em algumas oportunidades, incluindo no gol de empate.
Ofensivamente, também não houve muita associação com o trio. Vini ficou boa parte do jogo aberto pela esquerda e pouco impactou. Mbappé teve arrancadas interessantes, aparecendo muito pela direita, e foi em jogada dele que veio o tento da vitória de Carlos Espí. No entanto, o francês perdeu muitas chances.
Bellingham foi o maior destaque entre eles. Baixou para ajudar na saída de bola, surgiu entre as linhas e fez boas jogadas individuais, como na falta que sofreu antes de ele mesmo marcar de cabeça em cruzamento de Arda Güler.
Como a pré-temporada foi impactada pela Copa do Mundo, com os craques de França e Inglaterra atuando até o penúltimo dia de competição, Mourinho teve pouco tempo para treinar o encaixe dos três. Terá que ser feito durante a temporada, enquanto busca quebrar o jejum de dois anos sem títulos no Real Madrid.

