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Torcedor do Fluminense mantém a herança familiar pelo Platense, mas não tem ‘coração dividido’ no duelo da Libertadores

Por Redação Juruá em Tempo. Fonte: O Globo. 07/09/2026 às 14:11

O jornalista Emiliano Tolivia é tricolor fanático, mas, ao contrário do ofício da sua profissão, sempre precisou ouvir a mesma pergunta: “Se tiver Fluminense x Platense, vai torcer para quem?”. A resposta vinha acompanhada de um sorriso sem graça e nunca era levada realmente a sério. A descrença no confronto aleatório logo se inverteu quando as equipes se classificaram para a Libertadores. Se as bolinhas no sorteio da fase de grupos quase fizeram o “impossível” acontecer, quis o destino que Brasil e Argentina contassem uma história inédita nas quartas de final.

— Não existe aquela manchete de coração dividido. Comigo não tem essa de quem ganhar, estou feliz. Vou ficar bolado se o Fluminense perder, mas, se o Platense passar, óbvio que vou torcer a favor depois — garante Emiliano.

Por mais que o amor pelo Fluminense fale mais alto neste momento, é inevitável que Emiliano tenha recordações das raízes argentinas de sua família quando a bola rolar no Maracanã e, na semana que vem, no Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires. Torcedor do Platense, assim como seus três irmãos mais novos, o pai, Julio Oscar Tolivia, chegou ao Brasil, junto à mãe, Márcia, justamente em 1976, no auge da Máquina Tricolor.

— Meu pai viu Rivelino, Paulo César Caju, aquele timaço todo… aí ele se encantou pelo Fluminense. Acho que o fim dos nomes, “tense” e “nense”, ajudou também. E ele não gostava do Boca. “Qual o time é o Boca aqui (no Brasil)? Ah, é o Flamengo por ser mais popular. E o River Plate é o Fluminense.” Isso não quer dizer que gostava do River (risos) — lembra Emiliano.

Emiliano Tolivia e os filhos, Miguel e Julio, torcem pelo Fluminense e seguram a camisa do Platense, enquanto a mãe, Marina, é botafoguense — Foto: Ana Branco

Como ainda não tinha internet naquela época, Julio não conseguia acompanhar o time do coração no Brasil e ficava meses sem saber dos resultados, o que é impensável hoje em dia. O jeito era ligar para os familiares quando possível, uma vez que era caro fazer uma ligação para a Argentina. Já em solo carioca, Emiliano foi a vários jogos do Fluminense com o pai, que faleceu quando o pupilo tinha apenas 13 anos.

O último presente dado ao filho foi justamente uma camisa branca e marrom do Platense, o que simboliza a importância do Calamar (apelido de lula) na relação entre os dois. Desde então, Emiliano busca manter vivo esse legado, tanto que guarda com carinho a carteirinha de sócio do pai. Após ver o clube ficar fora da primeira divisão nacional por 22 anos, o tricolor se emocionou bastante com o título inédito do Apertura no Campeonato Argentino de 2025.

— É o jogo (Fluminense x Platense) que eu queria ver com o meu pai de cadeira especial no Maracanã. Seria lindo. Eu lembro que fui em 1989, no Brasil x Argentina, aquele golaço de Bebeto na Copa América. A gente foi de cadeira azul. Meu pai estava torcendo para a Argentina, mas, quando saiu o gol do Brasil, comemorou meio sem graça (risos) — lembra Emiliano.

Agora, no papel de pai, o jornalista já incentiva os gêmeos Julio — em homenagem ao seu avô — e Miguel, de 3 anos, a herdarem as cores verde, branco e grená, apesar de sua mulher, Marina, ser botafoguense. Os garotos já até entraram em campo com os jogadores no Maracanã e frequentam bastante a sede do clube, em Laranjeiras, que fica próxima de casa.

— Eu falo que o Platense é o time do papai do papai. Outro dia, o Julio soltou: “Vou torcer para o Platense”. Eu retruquei: “Não, agora não. A gente tem que torcer para o Fluminense, pelo amor de Deus” — brinca o tricolor com sangue brasileiro e argentino.

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