Família diagnosticada com doença de Chagas tem alta de hospital

A família da dona de casa Joana Correia, de 30 anos, recebeu alta médica, nesta quinta-feira (13), do Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, onde faziam tratamento contra doença de Chagas. Ela, o marido e os cinco filhos estavam internados desde o último dia 30 de maio após exames apontarem que estavam com a doença.

Como dois barbeiros foram achados na casa da família, a suspeita é que eles tenham ingerido o veneno através do consumo do açaí. A família mora na comunidade Triunfo, em Marechal Thaumaturgo, e deve retornar ao local ainda nesta quinta. Eles vão precisar voltar ao hospital a cada 30 dias.

Joana e os cinco filhos deram entrada na unidade primeiro e, dias depois, o marido dela, José Augusto da Silva, de 40 anos, também foi internado com a doença.

O agricultor Francisco das Chagas Ferreira da Silva, 55 anos, que foi o último paciente a ter a doença de Chagas confirmada, permanece internado aguardando resultados de exames. Ele também é morador da comunidade Triunfo e é irmão de José Augusto da Silva.

Coração crescido

Conforme a cardiologista Janaína Alencar, que acompanha os pacientes, os exames apresentaram alterações de crescimento do coração. Porém, segundo ela, não há necessidade, inicialmente, de medicações específicas para tratar o coração.

“Eles tiveram sorte de serem diagnosticados precocemente com doença, que daí já conseguimos tratar e evitar que tivessem as manifestações crônicas. Nos exames houve algumas alterações no coração, mas que a gente vai precisar acompanhar mensalmente para ver como vai ser a evolução e se posteriormente vão necessitar entrar com tratamento específico para o coração”, afirmou a médica.

A especialista disse que a expectativa é que somente com o tratamento da doença de Chagas, as alterações no coração revertam.

‘Menos preocupado’

Ao saber que vai poder voltar para casa com a mulher e os filhos, o agricultor José Augusto da Silva comemorou. “Agora estou menos preocupado, porque a gente teve essa melhora grande, graças a Deus. Agora que a gente sabe o que tem, estamos tomando a medicação. Vamos para Marechal Thaumaturgo e, de lá vamos pegar um barco até em casa”, disse.

Ele afirmou que ao chegar em casa vai fazer uma verdadeira varredura para tentar achar besouro transmissor da doença. “Antes eu não conhecia, pensei que era uma barata ou um mosquito qualquer, mas hoje, se eu ver, vou tomar uma providência”, garantiu.

Apesar de a suspeita ser a ingestão de açaí contaminado, o agricultor disse que não vai deixar de tomar a bebida. Segundo ele, a família é acostumada e gosta bastante.

“Vou continuar tomando o açaí. Essa doença não vai me fazer deixar de tomar não, mas vamos ter mais cuidado. Já fomos orientados sobre como que tem que ser feito o processo do açaí”, afirmou Silva.

Por Mazinho Rogério