Depois de voltar a dar vida a Zé dos Porcos em “Êta mundo melhor!”, Anderson Di Rizzi está no ar na reprise de “Amor à vida”, no Globoplay Novelas. Na trama, ele interpreta Carlito e faz par romântico com Valdirene (Tata Werneck). O ator conta que a obra foi um divisor de águas em sua carreira:
— Falei com a Tatá esses dias, mandei uma mensagem elogiando o trabalho dela em “Quem ama cuida“. Tenho muitas boas lembranças dela, da Elizabeth Savala, do Fúlvio Stefanini, da Eliane Giardini, de todo nosso núcleo. Acabei ficando amigo do Malvino Salvador, que fazia meu irmão. Nos falamos esses dias também. Foi uma novela muito boa para mim. Logo depois dela, fui contratado pela Globo e vieram vários trabalhos.
Ele conta que não esperava que seu personagem fizesse tanto sucesso e revela que, na época, se assustou com a repercussão:
— Era algo que eu não conseguia andar nas ruas. As pessoas me reconheciam dentro do carro, uma loucura. Meus pais estão assistindo à reprise, mas eu não. Estava lá na casa deles esses dias, comecei a ver e fiquei pensando que hoje em dia eu faria melhor, teria construído um personagem tão diferente. Quem sou eu para criticar o meu próprio trabalho? (risos) Mas fez sucesso. Agradeço a Deus.
Aos 47 anos, ele afirma que nunca se enxergou como galã, mas conta que fica lisonjeado com os elogios:
— Os meus personagens não tinham muito essa pegada de galã. Mas o Zé dos Porcos aparecia às vezes em “Êta mundo melhor!” sem camisa e, mesmo com aquele jeitão dele, acabou fazendo sucesso. Eu sou um tiozinho de quase 48 anos e, apesar de não me ver assim, fico feliz quando me colocam nesse lugar.
Disciplinado, Di Rizzi revela que frequenta a academia todos os dias, de segunda a segunda. Uma das motivações para isso é acompanhar o ritmo dos filhos, Helena, de 9 anos, e Matteo, de 7, frutos do casamento com a professora Taise Galante:
— No domingo, vou à igreja e depois à academia. Eu cuido da minha alimentação. Sempre tenho as minhas marmitinhas comigo, não como pão desde 2019. Sempre como batata doce no café da manhã. Minha esposa e meus filhos ficam me perguntando como eu não enjoo, porque eu como sempre do mesmo jeito, batata doce feita no micro-ondas com azeite e sal. Não é dieta, é um estilo de vida. Dieta, para mim, é quando eu saio desse estilo. Eu me sinto mal. Não bebo, não fumo, gosto de dormir cedo, de aproveitar o dia… Meus filhos demandam muita energia. Mal chego em casa e eles já estão pulando em cima de mim, querem brincar. Imagina se eu não tenho energia. Eles não têm acesso a celular, só veem um pouco de TV por dia. Então, eles brincam conosco. O fato de eu me alimentar bem e fazer atividade física me ajuda a estar bem no meu trabalho e também para os meus filhos.
Ele afirma que a chegada dos filhos melhorou ainda mais seu casamento:
— Somos uma família muito unida, nos divertimos juntos. Gostamos de programas simples, como ir à praça, à padaria tomar um café. Tenho tentado trazer coisas de antigamente para as crianças. Comprei jogo de botão para jogar com o Matteo, ele está adorando. Eu tenho essa responsabilidade de chegar lá na frente e falar que dei o meu melhor como pai e como marido.
Quem acompanha o ator no Instagram, onde tem cerca de 957 mil seguidores, já percebeu que ele tem feito mais vídeos em que fala sobre Deus. Di Rizzi revela que sempre foi cristão, mas afirma que, depois de se tornar pai, sua relação com a fé mudou:
— Eu naturalmente sempre falava de Deus para as pessoas, mas vivia do meu jeito. Eu fazia os meus planos e pedia para que Deus os abençoasse, tentava resolver com meus próprios braços. Quando você é pai, passa a ter uma responsabilidade maior sobre a sua própria vida. Não que antes eu fosse irresponsável, mas toda atitude que eu vou ter hoje em dia, coisas simples do dia a dia, eu sempre penso no impacto que isso vai ter na vida dos meus filhos: que exemplo estou dando como pai, que exemplo estou dando como marido, que legado eu quero deixar para os meus filhos. Não estou falando de herança, é bem diferente. Legado é o que vai ficar, o que vai impregnar na vida, no comportamento deles. Então, comecei a me fazer muitas perguntas nesse sentido e, cada vez mais, fui sentindo uma necessidade de me aproximar mais de Deus.
Ele conta que, logo depois de postar o primeiro vídeo com suas reflexões no Facebook, há alguns anos, pensou em apagá-lo, mas recebeu um retorno positivo dos amigos e seguidores e decidiu continuar:
— Depois daquele primeiro vídeo no Facebook, uma colega disse que fez muito sentido para ela. Teve vários comentários e compartilhamentos. A cada vez que eu parava de postar, sentia a necessidade de compartilhar mais, servir mais, ajudar mais. Existe tanta futilidade na internet, tanta coisa desnecessária consumindo nosso tempo e energia… Eu não tinha vontade de aparecer nas redes porque não tinha um propósito, um chamado. No Instagram, falo de coisas que estou aprendendo e trabalhando em mim: meus medos, ansiedade e preocupação. Isso vira uma responsabilidade, porque o que falo tem que ser coerente com a forma como vivo. Hoje, algumas pessoas vêm falar comigo não pelo meu trabalho como ator, mas pelos vídeos que viram no Instagram.
O ator revela que sua vida se transformou depois que mudou sua forma de lidar com a fé e a espiritualidade:
— Quando eu estava solteiro, pensava que, quando fosse um ator reconhecido, tudo seria diferente. Queria levar novidades de trabalho para os meus pais, que sempre torceram por mim, e achava que só seriam felizes quando eu fosse famoso. Conquistei tudo o que sempre quis: televisão, prêmios, entrevistas, sucesso numa novela das 21h… Mas o vazio continuava. Mesmo trabalhando muito, fazendo novela, cinema, teatro, me casando, com filho nascendo, havia angústia e tristeza. Então veio esse encontro com Jesus. A paz só vem com Jesus, hoje eu entendo isso. Conheci um Deus que não conhecia antes, por meio da obediência e da oração. Estamos aqui para aprender, não para julgar, e ter pelas pessoas a mesma misericórdia que pedimos a Deus. Eu e minha mulher vamos nessa busca aos poucos.
Atualmente, Di Rizzi está rodando a série “A ira do herdeiro”, seu primeiro trabalho bíblico na Record:
— Estou muito feliz, fui bem recebido por todos. Encontrei bastante gente com quem eu já tinha trabalhado. Estou à vontade. O convite veio do Manga (o diretor Carlos Manga Jr.). Está sendo um projeto incrível, realmente bonito, tem um padrão internacional de qualidade.
O ator conta mais detalhes de seu personagem, o eunuco Assur-Nãsir:
— Ele é o eunuco-chefe, um braço direito do rei. Praticamente todos do palácio passaram pelos treinamentos dele. Além de ser um mentor de todos, ele é extremamente inteligente, enigmático, astuto, atento. Ele protege, é como se fosse um segurança do rei. Ele luta muito bem, consegue ter uma leitura das pessoas, qual é a intenção delas, o que elas estão sentindo. É um personagem bem diferente das coisas que eu já fiz, está sendo um desafio gostoso. Eu sou um artista que gosta de ser desafiado. Raspei a cabeça, estou careca desde abril. Eu gosto de ficar careca, de me entregar para os personagens.

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