William Bonner conta que, na adolescência, era muito tímido e tinha dificuldade na hora de lidar com as meninas.
— Eu não tinha muitos amigos homens, mas eu tinha bons amigos. Mas a minha dificuldade era me relacionar com as meninas. Eu não chegava nas meninas. Eu era muito travado — disse o jornalista em entrevista ao videocast “Cá entre nós”, apresentado por Fátima Bernardes, sua ex-mulher, e Beatriz Bonemer, uma das filhasr.
Bonner ainda relembrou um trauma que passou durante uma festinha para o qual foi convidado nos anos 1970:
— Quando entrei na adolescência, não sabia que estava entrando na adolescência. Eu tinha meus 12 anos e fui convidado para uma festinha de aniversário de uma colega. E festinha de aniversário de criança nos anos 70 tinha um ritual bem caretinha, né? Festinha de criança, classe média, não tinha esse negócio de dançar. E aí nessa festa eu chego, e uma menina quis dançar comigo. Eu: “Como assim dançar comigo?” E você sabe que não é o meu forte esse negócio de dançar. Eu fiquei num canto da festa torcendo para ninguém mais me pedir para dançar e parei de ir à festas. As pessoas me convidavam para festas e eu já nem ia para não passar constrangimento.
O apresentador do “Globo repórter” também falou sobre sua saída do “Jornal Nacional” e contou que tem recebido mais carinho do público nas ruas:
— Eu tenho me sentido meio popstar. Vamos dividir a população entre as pessoas que me odeiam, as pessoas para quem eu sou ok e as pessoas que gostam de mim. Num período longo e recente, de dez, 12 anos, as pessoas que gostavam de mim e para quem eu sou ok estavam quietas. Só se manifestava o público que mais me detesta. Esses eram os que chegavam em mim na rua, me abordavam, me xingavam das coisas mais incríveis (…) A partir do momento em que eu anunciei que sairia do “JN”, houve uma mudança interessantíssima. Pessoas que gostam de mim começaram a se manifestar. Elas diziam: “Ah, que pena que você vai sair”. Isso vira uma vacina. As pessoas que me odeiam seguem odiando, mas não se aproximam mais. Porque, se você está vendo cinco, seis pessoas à minha volta pedindo para tirar foto, um abraço, você chega e vai me xingar? Não. Então pararam de me abordar.
Beatriz comentou que o pai está mais feliz desde que passou a integrar a equipe do “Globo repórter”. Ele concordou:
— Eu passei dez, 12, quase 15 anos da minha vida com gente colocando o dedo na minha cara. Agora, quando alguém se aproxima e quer uma foto, quer dar um abraço, quer que eu mande uma mensagem para a mãe, como é que eu vou dizer não para essa pessoa? Eu abro o meu sorriso mais simpático, o meu sorriso mais sincero, porque meu coração está sorrindo, e dou a foto. Eu gravo o que quiserem gravar, dou abraço, pergunto nome, quero saber o que faz. Estou muito feliz nessa situação e quero que isso perdure.

