Há alguns anos a artista pop brasileira de maior relevância no mundo, a carioca Anitta ainda não ganhou um Grammy Latino sequer. E indicações não faltaram. Na lista da Academia Latina da Gravação que saiu na última quarta-feira, o seu disco “Equilibrivm” figura entre os concorrentes para as premiações de álbum do ano e melhor álbum pop contemporâneo em língua portuguesa.
Ao todo, desde 2014, foram 12 indicações para Anitta — e quase sempre em categorias não-exclusivamente brasileiras, como as de gravação do ano e melhor canção urban.
Justiça por justiça, seria bonito se o Grammy Latino saísse agora. “Equilibrivm”, projeto que este ano já rendeu dois álbuns, lançados separadamente, é o trabalho mais pessoal da cantora — um mergulho na raiz da música brasileira, na religiosidade de matriz africana, mas sem abandonar o funk, o samba e pop pelos quais ela transitou ao longo da carreira. Um projeto nascido de um processo de autodescoberta, para o qual a artista investiu, ainda, em belas e criativas peças audiovisuais.
Aclamado pela crítica, “Equilibrivm” demonstrou ser bem mais do que um capricho de Anitta. Assim como bancou do próprio bolso a produção da obra, ela também financiou um show completo, um mini-festival, para apresentar ao vivo o repertório do álbum duplo. E foi muito bem-sucedida, como O GLOBO pôde acompanhar, atraindo grande público, por exemplo, para o Caminho Niemeyer (em Niterói, no Rio de Janeiro). Mesmo sem seus hits de sempre, ou o repertório carnavalesco dos Ensaios de Anitta, ela fez a festa dos fãs, que acolheram o repertório de “Equilibrivm” e se deliciaram com a beleza cênica do show.
Mas quais as chances que a cantora têm de sair com a sonhada estatueta? Na disputa pelo álbum do ano, há que se reconhecer que o páreo é duro. Para começo de conversa, o disco se vê diante da grandeza de um “LUX (Complete Works)”, álbum com o qual a espanhola Rosalía levou o flamenco e a ópera para dentro da seara do pop e produziu não só um disco, mas um dos shows mais inovadores do pop mundial (e o Rio de Janeiro foi testemunha disso).
No meio do caminho de Anitta rumo ao Grammy Latino, ainda tem outra estrela internacional: a colombiana Karol G, que concorre com “Tropicoqueta”, um eficiente coquetel de reggaeton, merengue, bachata, cúmbia, vallenato e mariachi.
E tem, ainda, um pacote de elogiados discos de astros latinoamericanos, como o “FREE SPIRITS”, da dupla argentina Ca7riel & Paco Amoroso; o “Taracá”, do uruguaio Jorge Drexler; o “Vendrán suaves lluvias”, da estrela folk mexicana Silvana Estrada; o sofisticado “FEMME FATALE”, da chilena Mon Laferte e “La vida era más corta” — incursão do rapper argentino Milo J, de 19 anos, pela música folclórica, que ele mostrou com sucesso, há poucos dias, no Rock in Rio e em dois shows com lotação esgotada na Audio, em São Paulo. São discos fortes, que provocam um desequilibrivm na concorrência com Anitta.
As chances da carioca aumentam na categoria de melhor álbum pop contemporâneo em língua portuguesa, na qual “Equilibrivm” disputa com “Antes que a Terra acabe”, da baiana Luedji Luna; o “MARINADA vol.01”, de Marina Sena; o “Ludom”, bom disco de r&b da cantora Ludom; e o moderno e multifacetado “BRava”, cantora e compositora Jenni Mosello. A beleza de ver Anitta nessa lista junto com outras mulheres tão talentosas da música brasileira já é uma vitória — mas é claro que muitos torcem mesmo é para que ela enfim saia daí com seu primeiro Grammy Latino (que, ao menos, Luedji já tem).
Com indicações para outros brasileiros nas categorias gerais (Loulu Gilberto, filha de João Gilberto, foi indicada a artista revelação e gravação do ano; e Zeca Veloso, filho de Caetano Veloso, aos de artista revelação e melhor álbum de engenharia de gravação), a cerimônia de premiação do Grammy Latino acontece no dia 12 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

