Francisco Piyãko apresenta experiência do povo ashaninka em discussão global sobre o clima

Durante o encontro anual da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (tradução de Governor’s Climate and Forests Task Force – GCF), realizado esta semana em Caquetá, na Colômbia, Francisco Piyãko, liderança ashaninka, foi um dos representantes dos povos indígenas do Acre. Sua mensagem foi de união entre as diversas instituições globais e os moradores da floresta para uma agenda de desenvolvimento sustentável.

A participação fez parte do Comitê Global para Povos Indígenas e Comunidades Locais do GCF. “Este é um encontro das nossas terras com a política global de desenvolvimento sustentável. Precisamos estreitar as relações entre os povos indígenas e populações da floresta com as discussões internacionais sobre a mudança do clima”, apontou Piyãko.

O líder ashaninka esteve no GCF a convite de Francisca Arara, do povo shawandawa, representante do Acre no Comitê. Ela afirmou que é preciso haver o diálogo dos governos com os povos indígenas. “O cenário do governo Federal brasileiro não pode influenciar as políticas públicas dos estados. Os governos têm que dialogar com os povos indígenas”.

Na questão do Acre, Francisca pontuou que já existem leis que garantem o espaço dos povos indígenas na discussão de políticas públicas, como o Sistema de Incentivos aos Serviços Ambientais (Sisa) e a Câmara Técnica de Mudanças Climáticas. “Dentro da Câmara Técnica, o governo junto com 19 organizações indígenas, sociedade civil e a Funai tomam as decisões de como dar continuidade à pauta ambiental do Sisa”, explicou.

Com a experiência de uma das comunidades mais organizadas na Amazônia, a Apiwtxa, aldeia do povo ashaninka no Acre, ele falou da importância de a sociedade entender o papel que todos têm na conservação dos recursos naturais. “As instituições precisam entender que a floresta não faz bem apenas para quem vive nela, o impacto que ela causa não tem fronteira quando se fala na sustentabilidade do planeta. Nós todos somos guardiões da vida na terra.”

Um dos últimos projetos executados pelo povo ashaninka, o Alto Juruá é uma ação dentro Fundo Amazônia e foi responsável pelo plantio de vários hectares de frutíferas em sistemas agroflorestais dentro da Terra Indígena e na Reserva Extrativista Alto Rio Juruá.

Este projeto tem o intuito de apresentar uma alternativa de desenvolvimento sustentável para as famílias da região e foi um dos exemplos de conservação durante o evento de 10 anos do Fundo Amazônia, realizado no último ano em Oslo, durante o Oslo Tropical Forest Forum 2018 Conference, maior conferência global sobre florestas tropicais e clima.

Assessoria Apiwtxa