Outro dia estava fazendo uma reflexão sobre outros tempos, relembrando de quando “era criança pequena em Junqueirópolis/SP”, entre a infância e adolescência e, em casa, havia três opções de canais na televisão: Globo, Bandeirantes e Manchete. Muitas vezes assistíamos um determinado programa apenas por preguiça de levantar e trocar de canal.
Naquela época não havia ainda celulares, computadores e, por óbvio, internet. Quando queríamos ligar para alguém tínhamos que utilizar o telefone fixo, que era um luxo ao qual nem todos tinham acesso (vale lembrar que você poderia vender sua linha telefônica e, com o valor da venda, facilmente comprar um terreno urbano). Escrever uma mensagem ou texto para alguém exigia caneta, folha de papel, envelope e um selo postal. Além da ida aos Correios para postar a carta.
Hoje, temos facilmente mais de cento e vinte canais em nossos televisores e, ainda, conseguimos reclamar que não há nada de interessante para assistir. Existem canais de todos os temas e para todos os gostos, literalmente. Adoro, por exemplo, assistir ao Food Network, canal que transmite, o dia inteiro, receitas e gordices.
O celular, hoje é onipresente em nossas vidas, pois tem gente que estuda com o celular, trabalha com o celular, dorme com o celular, toma banho com o celular… enfim… é impossível se esconder de alguém, sempre irão lhe achar, você querendo ou não. Claro que ele facilitou nossas vidas. Na minha época, para pesquisar sobre um determinado assunto, tinha que ir em uma biblioteca e pesquisar na Enciclopédia Barsa (para os mais novos, uma coleção de livros que descrevia os tópicos apresentados em ordem alfabética). Atualmente, temos em nossos bolsos, com um celular com acesso à internet, mais conhecimento do que o existente na biblioteca de sua escola, na Biblioteca Nacional ou na Biblioteca do Congresso Americano (a maior do mundo).
Computadores e internet nos permitem, inclusive, trabalhar em casa (o chamado home office), trazendo economia para as empresas, pois permite redução de custos com aluguel, energia elétrica e demais despesas, além de gerar comodidade para os funcionários que evitam transito e demais problemas relacionados ao deslocamento até o trabalho.
Toda essa reminiscência é para levar a seguinte reflexão: já pensou se essa pandemia tivesse acontecido há vinte ou trinta anos? Enfrentar o distanciamento social sem celular, computares? Ficar em casa tendo apenas três canais de televisão à disposição? Enfrentar um lockdown sem Netflix ou You Tube? Estar bem informado sem os canais de notícia? Sem poder matar saudade dos netos e parentes sem ligações por vídeo? Nossas crianças em casa sem poder ter acesso ao ensino remoto?
Já pensou?
De certa forma, tudo isso muda um pouco o sentido da frase “saudade dos velhos tempos…”
César Gomes de Freitas é professor da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Possui Pós-Doutorado pela Universidade Federal Fluminense, doutorado pelo IOC/Fiocruz, mestrado pela UCDB e é bacharel em Administração e Ciências Contábeis

