Grávida de 8 meses, venezuelana dorme uma semana em rodoviária no AC para juntar dinheiro e ir para o Peru

Grávida de oito meses do primeiro filho e fugindo de uma grave crise econômica no país de origem, a venezuelana Isabela Matas, de 20 anos, dormiu por sete dias na rodoviária de Rio Branco. Com um cartaz, ela pedia dinheiro para se manter e comprar uma passagem para o Peru.

Sozinha e vivendo de doações, ela conta que se separou do companheiro há duas semanas e veio para o Acre em busca de atendimento médico gratuito. Ela diz que chegou a ser atendida na maternidade de Rio Branco, onde teve notícia de que estava tudo bem com a gravidez.

Isabela vive uma verdadeira peregrinação desde que deixou seu país há dois anos em busca de uma vida melhor. Ela lembra que já passou pela Colômbia, Equador e Peru e que agora pretende retornar ao Peru, onde vive uma irmã.

“Tenho necessidade de voltar ao Peru, porque estou sozinha aqui e minha irmã está lá em Lima. Saí da Venezuela há dois anos por conta da necessidade, não há atenção médica, não tem hospital, não tem transporte, comida e nem nada. Fui ficando em todos esses países trabalhando na rua, vendendo e pedindo ajuda para comer. Antes estava com meu companheiro, mas nos separamos e agora estou sozinha”, conta.

Uma semana dormindo no chão

Após uma semana dormindo no chão da rodoviária de Rio Branco, ela conseguiu ainda nesta terça (5) juntar o valor de R$ 67,60 para comprar a passagem até Assis Brasil, na fronteira do Acre com o Peru. Lá, ela deve continuar a luta para conseguir viajar até Lima.

“Estou aqui dormindo no chão, tudo que consegui de doação foi para comer e tomar banho. Consegui R$ 50 e hoje [terça-feira, 5] algumas pessoas me ajudaram com o restante que faltava para a passagem de ônibus. Com a situação do meu país, tiraram meus sonhos há muito tempo, mas gostaria de concluir meus estudos, eu fazia o ensino médio na Venezuela. Depois, quero abrir um salão de beleza e ser cabeleireira”, diz a jovem.

Doações na rodoviária

O autônomo José Guilherme, de 56 anos, é acreano e mora no bairro Ilson Ribeiro, em Rio Branco. Mesmo com pouca condição financeira, assim que ficou sabendo da situação da jovem venezuelana, resolveu ir até a rodoviária para tentar ajudar.

“Vi que essa menina estava precisando de ajuda. Aí, disse para minha filha que ia vir ajudar de alguma forma. Cheguei aqui na rodoviária, me aproximei e ajudei com R$ 10, que era o que eu tinha. Não vou ajudar mais porque vou viajar para Brasileia na sexta-feira [8] e foi o que pude fazer”, afirma o autônomo.

A missionária Jaqueline Habu é boliviana e estava na rodoviária nesta terça (5) para viajar para a Bolívia. No local, ela conheceu a jovem venezuelana e também resolveu ajudar.

“Ela ouviu que eu estava no celular falando em espanhol, então, me perguntou se eu era da Venezuela e eu disse que não. Ela me contou a história dela e disse que tinha só R$ 50 e que faltavam R$ 17 para conseguir comprar a passagem. Fiquei triste em saber que a empresa de ônibus não quis vender para ela faltando tão pouco dinheiro. Eu não tenho muito dinheiro e ajudei com R$ 5, aí foi chegando outros senhores e juntamos esse valor que ela precisava”, diz Jaqueline.

  • Com informações do Portal G1.