O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de quarta-feira (30) durante uma operação contra uma suposta organização criminosa que atuaria dentro do sistema de Justiça do país. A ação ocorreu após os Estados Unidos acusarem o procurador de receber subornos para facilitar o tráfico de drogas e proteger criminosos.
As autoridades bolivianas informaram nesta quinta-feira (1º) que Mariaca é investigado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Ao todo, 14 pessoas foram presas, entre elas quatro procuradores e seis funcionários do Ministério Público. Durante a operação, foram apreendidos mais de 3,5 milhões de bolivianos, valor estimado em R$ 1,5 milhão, além de US$ 10 mil, cerca de R$ 52 mil.
Segundo o ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, a investigação identificou uma estrutura criminosa dentro do sistema de Justiça. Ele afirmou que a Procuradoria-Geral, durante a gestão de Mariaca, teria sido utilizada para favorecer e proteger atividades ligadas ao narcotráfico.
Entre os presos está Alberto Zeballos, procurador do departamento de Santa Cruz, que também foi alvo de sanções dos Estados Unidos nesta semana.
Dinheiro encontrado em ambulância
Durante as operações, quatro pessoas foram flagradas retirando dinheiro em espécie da residência de Mariaca, em Santa Cruz. Segundo as autoridades, o grupo utilizava uma ambulância para transportar os valores.
De acordo com Oviedo, policiais encontraram cédulas de bolivianos e dólares escondidas em compartimentos do veículo.
As buscas também ocorreram na sede da Procuradoria-Geral, em Sucre, e em escritórios localizados em Santa Cruz e La Paz.
Com a prisão de Mariaca, Luis Montaño Morales, procurador superior com mais tempo de serviço na instituição, assumiu temporariamente o comando do órgão. O Congresso boliviano convocou uma sessão extraordinária para sexta-feira (2) para analisar o caso.
O advogado de Mariaca, Romel Ipamo, afirmou que a defesa pretende colaborar com as investigações e pediu o respeito ao devido processo legal.
Acusações dos Estados Unidos
A prisão aconteceu dois dias depois de os Estados Unidos revogarem os vistos de Mariaca e de outras autoridades. Washington acusou os atingidos pelas medidas de envolvimento em corrupção, narcotráfico ou conspirações contra seus respectivos governos.
No caso do procurador boliviano, o governo americano afirmou que ele teria recebido pagamentos ilegais para facilitar o tráfico de drogas e permitir que criminosos violentos escapassem da Justiça.
Mariaca negou as acusações e classificou a medida americana como uma forma de ingerência e pressão política.
Após a prisão, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, elogiou a atuação do governo boliviano no combate ao narcotráfico, à corrupção e ao crime organizado transnacional.
Segundo Oviedo, a operação foi conduzida por instituições bolivianas, com cooperação de agências americanas.



