Pular para o conteúdo
O Juruá Em Tempo
Início / internacionais

EUA perderam até R$ 16,5 bilhões em aeronaves militares destruídas ou danificadas na guerra contra o Irã

Os Estados Unidos tiveram 81 aeronaves militares destruídas ou danificadas na guerra contra o Irã, que eclodiu no último dia de fevereiro, segundo relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS, na sigla em inglês), divulgado nesta semana e noticiado pela rede americana CNN. O número inclui aviões, helicópteros e drones. O MQ-9 Reaper, modelo usado em missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, apoio aéreo e busca e resgate em combate, responde por mais da metade das perdas.

A lista também traz algumas das aeronaves mais valiosas do Pentágono, como um caça F-35A e um E-3 Sentry, jato de quatro motores, usado para rastrear alvos e controlar o espaço aéreo. O custo das aeronaves perdidas varia de US$ 1,9 bilhão a US$ 3,3 bilhões (de R$ 9,5 bilhões a R$ 16,5 bilhões, na cotação atual), conforme os planos do Departamento de Defesa para substituí-las, segundo o relatório, que cita dados do Escritório de Orçamento do Congresso.

Militares da Guarda Aérea Nacional do Texas inspecionam um drone MQ-9 Reaper na Base Aérea de Keflavik, na Islândia — Foto: Divulgação / Força Aérea dos EUA
Militares da Guarda Aérea Nacional do Texas inspecionam um drone MQ-9 Reaper na Base Aérea de Keflavik, na Islândia — Foto: Divulgação / Força Aérea dos EUA

Segundo fontes ouvidas pela CNN, a guerra já custou aos EUA ao menos US$ 45 bilhões (cerca de R$ 225 bilhões). O valor não inclui os danos à infraestrutura das bases americanas no Oriente Médio, algumas delas palco de perdas de aeronaves, como a de Muwaffaq Salti, na Jordânia, atacada pelo Irã em setembro. Parte dos aviões incluídos na conta pode ter voltado ao serviço, entre eles oito caças F-15 Strike Eagle que sofreram danos leves no ataque.

O relatório se baseia em informações do Departamento de Defesa, de sua inspetoria-geral, do Comando Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio, e em reportagens analisadas pelo CRS.

Falta de transparência

O documento levanta uma série de questões para o Congresso, entre elas se os parlamentares estão recebendo informações suficientes do Pentágono sobre as perdas para avaliar seus efeitos e possíveis soluções. Até agora, os dados do Departamento de Defesa sobre o tema têm sido vagos. Mesmo o relatório da inspetoria-geral do Pentágono, divulgado em setembro e referente ao período de 28 de fevereiro a 30 de junho, recorre a estudos anteriores do CRS para alguns números. O presidente Donald Trump chegou a ameaçar prender quem vazasse informações sobre os arsenais americanos.

A cauda do E-3 Sentry destruído na Arábia Saudita por drones do Irã — Foto: UGC / AFP
A cauda do E-3 Sentry destruído na Arábia Saudita por drones do Irã — Foto: UGC / AFP

“O Congresso pode avaliar se as perdas de certas plataformas de alta demanda, antigas e em número limitado, como o E-3 Sentry, criam lacunas de capacidade ou aumentam o risco em outros teatros de operação”, diz o texto.

Segundo analistas, a guerra contra o Irã e os confrontos anteriores com os rebeldes houthis do Iêmen, aliados de Teerã, cobraram um preço especialmente alto dos MQ-9.

No início do ano, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Kenneth Wilsbach, disse ao Congresso que o drone era o “jogador mais valioso” das Forças Armadas na guerra. Foram 45 perdidos no Oriente Médio só neste ano, um ritmo “alarmante”, segundo relatório de setembro do centro de estudos Atlantic Council. Desde 2004, a Força Aérea perdeu cerca de 35% de sua frota de MQ-9.

Os parlamentares também precisarão decidir se vão financiar reparos ou substituições, se há capacidade industrial suficiente para atender à demanda e quais os efeitos sobre as vendas militares americanas a parceiros estrangeiros.

A capacidade de reposição já é um gargalo nos arsenais de munição. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, o estoque de mísseis do sistema de defesa Patriot, por exemplo, caiu de 2.330 unidades antes da guerra para entre 759 e 827 em julho, e só deve voltar ao patamar anterior em meados de 2029.