O governo americano suspendeu os pedidos de visto de imigrante em todo o mundo para, segundo o jornal britânico Financial Times, treinar funcionários consulares na identificação de indivíduos vistos como suscetíveis de precisar de assistência do governo. A suspensão é a mais recente medida do governo do presidente Donald Trump para restringir a entrada nos EUA. Consultado pelo GLOBO, Consulado americano em São Paulo afirma que aguarda instruções de embaixada sobre como proceder.
Ainda de acordo com o jornal, os requerentes de visto de imigrante que tinham entrevistas programadas em embaixadas e consulados dos EUA receberam e-mails informando sobre a remarcação de seus agendamentos.
— Para um país mais próspero, é necessário garantir que os requerentes de visto não tenham risco de se tornar um ônus público, conforme definido pela legislação e regulamentação dos EUA, e de ficarem dependentes de benefícios públicos reservados a americanos qualificados que necessitem deles —disse um porta-voz do Departamento de Estado ao Financial Times.
Neste mês, foi lançada “uma iniciativa global de treinamento” para “garantir que todos os funcionários consulares estejam plenamente preparados para avaliar cada requerente de visto de forma abrangente e consistente”, acrescentou o porta-voz.
A repressão aos imigrantes sem documentos é um dos pontos principais do governo de Trump. Além dessa medida, ele também impôs novos limites a outros tipos vistos e a green cards (permissão de residência) e encerrou quase todo o reassentamento de refugiados.
Brian Simmons, gerente consular sênior do escritório de advocacia especializado em imigração Fragomen, em Washington, disse que muitos dos afetados “já haviam gastado milhares de dólares e reorganizado suas vidas para comparecer às entrevistas agendadas, apenas para terem seus compromissos cancelados no último minuto”.
— Para acomodar esse treinamento, as consultas para serviços de visto serão reajustadas — disse o porta-voz, sem informar quando as consultas serão retomadas.
Na semana passada, a juíza federal Jeannette Vargas decidiu anular a proibição imposta por Trump aos pedidos de imigrantes de 75 países, incluindo do Brasil, que, segundo o governo, poderiam precisar de assistência pública. Segundo a juíza, a suspensão se sobrepunha à “discrição e ao poder de decisão” sobre vistos atribuídos pelo Congresso aos postos consulares.
Trump tem enfrentado uma série de contestações judiciais contra suas políticas de imigração. Os tribunais federais revogaram, no início de seu primeiro mandato presidencial, uma medida que visava proibir a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Posteriormente, a Suprema Corte permitiu que uma versão reduzida de sua política entrasse em vigor.
Desde o ano passado, o governo Trump exige que aqueles que buscam vistos de imigrante tramitem seus pedidos em seu país de cidadania, mesmo que muitos vivam e trabalhem legalmente nos EUA e alguns sejam casados com americanos ou tenham filhos americanos.
Pessoas de Mumbai a Nápoles expressaram sua frustração com o mais recente transtorno em seus processos de imigração.
“Me incomoda que as pessoas viajem para fora do país para resolver isso e acabem cancelando a entrevista”, escreveu uma pessoa no Reddit.
Outra alertou que “exatamente a mesma coisa aconteceu com várias entrevistas para o visto H-1B há cerca de oito meses na Índia”, acrescentando que algumas ainda estavam “presas no exterior” e “perderam seus empregos”.



