Bill Gates afirmou que as empresas de tecnologia estão minimizando os riscos que a inteligência artificial representa para a humanidade.
Em um ensaio publicado nesta quarta-feira (26) em seu site pessoal, o cofundador da Microsoft defendeu que governos adotem medidas imediatas para regular a tecnologia antes que ela cause danos irreversíveis.
Gates disse ter decidido tornar públicas suas preocupações porque a IA está avançando mais rapidamente do que ele imaginava e porque o setor de tecnologia abandonou, em grande parte, a postura cautelosa que costumava adotar.
“A IA será o maior instrumento de igualdade já criado ou a pior fonte de injustiça”, escreveu. “O desafio é monumental. Mesmo no melhor dos cenários, a transição para esta nova era da IA será um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade.”
Gates criticou líderes do setor de tecnologia e do governo por não estarem se preparando adequadamente para esses desafios.
“Não existe um plano para facilitar a entrada na era da IA”, afirmou.
No ensaio, Gates destacou três desafios principais: o impacto da inteligência artificial sobre o emprego; a possibilidade de a tecnologia ampliar a capacidade de pessoas causarem danos, incluindo a criação de armas biológicas e vírus de computador; e os efeitos potenciais sobre os relacionamentos humanos e o desenvolvimento infantil.
Segundo ele, regular a inteligência artificial exigirá a criação de novas instituições nacionais e internacionais. Em escala global, o esforço poderia se inspirar em modelos como as inspeções de armas nucleares, a regulamentação da aviação e os acordos internacionais para proteger a camada de ozônio.
“Nenhuma das instituições atuais foi criada para lidar com uma tecnologia que se espalha tão rapidamente e afeta tantas áreas da nossa vida”, escreveu. “Por isso, precisaremos criar novas.”
Em entrevista ao New York Times, Gates reconheceu que não é um mensageiro perfeito para essa discussão devido aos seus profundos vínculos com a indústria de tecnologia. Sua reputação também foi afetada pelas revelações sobre seu relacionamento com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, episódio pelo qual ele já pediu desculpas.
Gates deixou o conselho da Microsoft em 2020.
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