O Irã anunciou nesta quarta-feira que alcançou um acordo com Omã sobre uma proposta de rota para navegação através do Estreito de Ormuz que será gerenciada em conjunto pelos dois países, um passo potencial para a reabertura dessa crítica via energética global — antes da guerra, 20% da produção de petróleo global trafegavam pelo estreito.
Em uma publicação no Telegram, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que um comunicado conjunta encontra-se na fase final de redação e que um acordo sobre as coordenadas de navegação poderá ser assinado “se certas terceiras partes não obstruírem esse processo”.
Em comentários divulgados no canal do Ministério das Relações Exteriores do Irã no Telegram, Baghaei disse que muitos fatores que contribuem para a insegurança no estreito ainda persistem. Ele citou o bloqueio naval declarado pelos EUA contra o Irã e outras “ações agressivas e ameaçadoras contra o Irã e seus interesses”.
Baghaei também afirmou que um acordo entre Irã e Omã sobre a rota de navegação não garante automaticamente a passagem segura, alertando que uma ação militar dos EUA na região ainda poderia comprometer a segurança na via.
Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo para reabrir o estreito poderia ser concretizado nesta quarta-feira, advertindo o Irã de que será “duramente atingido” caso as negociações fracassem.
Citando autoridades iranianas e americanas, o jornal americano New York Times informou na terça-feira que o acordo em negociação entre Irã e Omã poderá ratificar o controle de Teerã sobre o que, antes da guerra, era uma via navegável internacional aberta, preservando para a República Islâmica uma vantagem estratégica que não utilizava antes da guerra.
Conforme descrito ao jornal por autoridades a par do acordo em gestação, as embarcações que se dirigem ao Golfo Pérsico transitarão por um canal controlado pelo Irã e próximo à sua costa. Os navios que deixam o Golfo navegarão por um canal próximo a Omã.
Autoridades iranianas afirmam que, embora não haja cobrança de pedágio, o acordo inclui uma “taxa de serviço” para cobrir o impacto ambiental do transporte marítimo, a segurança de navios de carga e petroleiros, e a mão de obra. As receitas seriam divididas igualmente entre o Irã e Omã, segundo duas autoridades iranianas.
No entanto, uma autoridade dos EUA a par das negociações afirmou, na segunda-feira, que a versão iraniana “não era precisa”, dizendo que quaisquer rotas “temporárias” estabelecidas pelo estreito não envolveriam aprovações ou permissões do Irã, nem a cobrança de pedágios. O presidente dos EUA, Donald Trump, já reiterou em várias ocasiões que “não haverá cobrança” pelo acesso ao estreito, algo que Teerã estabeleceu como condição fundamental para qualquer acordo. O país insiste que tem o direito de controlar o tráfego marítimo e de interceptar embarcações que tentem transitar por esse ponto estratégico sem sua permissão.
Já o Axios citou, sob condição de anonimato, autoridades regionais e um funcionário americano apontando um possível arranjo de 60 dias para a passagem segura pelo estreito.
O Catar, mediador nas negociações, afirmou que os contatos diplomáticos continuavam em andamento, mas que não estavam previstas conversações diretas entre o Irã e os Estados Unidos. Os objetivos diplomáticos de Washington incluem a reabertura de Ormuz e a desnuclearização do Irã, algo que Trump admitiu que pode “levar um pouco de tempo”.
Mais de cinco meses depois do início de uma guerra que custou bilhões de dólares a Washington, o Irã continua capaz de lançar mísseis e drones contra alvos dos Estados Unidos e de seus aliados na região, assim como contra navios comerciais.
Na madrugada de terça-feira, um cargueiro não identificado foi atingido por um projétil desconhecido no Estreito de Ormuz, em frente à costa de Omã. Um membro da tripulação está desaparecido, segundo a empresa de segurança britânica Vanguard Tech.
Ataque no Mar Vermelho
As perturbações no trânsito em Ormuz aumentaram a importância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, declararam em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram infraestruturas petrolíferas do reino.
O porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiu a Riad, aliada de Washington, manter seus envios aos mercados globais, contornando completamente Ormuz. Mas desde que os houthis anunciaram seu bloqueio, reivindicaram ataques contra vários navios que, segundo eles, o violam.
Na terça-feira, o navio indiano MSV Faize Noore Oliya afundou no Mar Vermelho, em frente ao Iêmen, após ter sido atacado, disse à AFP um funcionário iemenita. Autoridades indianas informaram que os 14 membros da tripulação foram resgatados, enquanto o governo do Iêmen, reconhecido pela comunidade internacional, atribuiu o ataque aos houthis.
Também na terça-feira, um aeroporto no sudoeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, suspendeu suas operações depois que os rebeldes houthis afirmaram tê-lo atacado.
Com AFP

