A vida de Gail Youngdale, moradora de McKinney, no Texas, mudou depois que ela começou um tratamento experimental contra o Alzheimer. Após receber lecanemabe, medicamento que atua na remoção das placas de beta-amiloide no cérebro, Gail apresentou melhora e recuperou parte das lembranças que havia perdido.
“Não recuperei toda a minha memória, mas a maior parte”, contou Gail ao canal KSAT12.
Na época, ela havia sido diagnosticada inicialmente com comprometimento cognitivo leve e, posteriormente, com Alzheimer em estágio inicial. A mãe de Gail também teve a doença.
Primeiros sinais de esquecimento
Foram os filhos de Gail que perceberam os primeiros sinais de que havia algo errado. Segundo ela, os filhos começaram a notar comportamentos semelhantes aos que a avó apresentava quando enfrentava a doença.
A família procurou ajuda médica e, de acordo com Teri Youngdale, filha de Gail, exames identificaram nove áreas do cérebro com placas de beta-amiloide, uma proteína associada ao Alzheimer.
Gail então participou de um estudo clínico com lecanemabe, medicamento que ainda era experimental naquele período e que atualmente é comercializado nos Estados Unidos como Leqembi. No Brasil, o medicamento também recebeu aprovação da Anvisa.
Após o tratamento, a família recebeu uma notícia inesperada. Segundo Teri, os exames não mostravam mais as placas de beta-amiloide identificadas anteriormente.
Tratamento não significa cura
O lecanemabe atua removendo a proteína beta-amiloide do cérebro. O medicamento foi aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, para determinados pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve provocados pelo Alzheimer.
Estudos indicam que o medicamento pode retardar a progressão do declínio cognitivo, mas ele não cura a doença nem significa que todos os sintomas desapareçam.
O tratamento também exige acompanhamento médico devido ao risco de efeitos adversos, incluindo inchaço e pequenos sangramentos no cérebro, alterações conhecidas como ARIA.
No caso de Gail, segundo a filha, os médicos não identificaram sinais de que as placas de beta-amiloide estivessem voltando a se acumular. A melhora, porém, não significa que ela tenha deixado de ter Alzheimer.
Um amor de quase 50 anos atrás
Enquanto Gail lidava com o tratamento, outra parte da vida dela ganhou um novo capítulo.
Ela reencontrou Phil Mercer, um antigo amigo da adolescência. Os dois estudavam juntos e chegaram a ir a um baile, mas nunca tiveram um relacionamento naquela época.
A vida levou cada um para um lado. Gail e Phil se casaram com outras pessoas, formaram suas famílias e passaram décadas sem contato próximo.
Quase 50 anos depois, os dois, agora viúvos, se reencontraram durante uma reunião de antigos alunos da escola.
O encontro reacendeu a conexão entre eles — e terminou com um beijo.
“Naquela noite, na reunião, Gail me beijou”, contou Phil, aos risos.
O reencontro virou namoro e, depois, casamento. No domingo, 30 de agosto, os dois comemoraram o primeiro aniversário de união.
Phil também faz parte da nova rotina
Atualmente, Phil acompanha Gail no dia a dia enquanto ela continua o acompanhamento médico. Ele também passou a ajudá-la nas tarefas domésticas.
“Ele está aprendendo a cozinhar e eu estou aprendendo a sair da cozinha”, brincou Gail.
Antes do tratamento, atividades simples do cotidiano eram acompanhadas de medo, ansiedade e perda de autonomia. Hoje, apesar de continuar convivendo com o Alzheimer, ela tem mais independência e qualidade de vida, segundo a família.
A história de Gail também passou a fazer parte de uma campanha da BrightFocus Foundation durante o Mês Mundial do Alzheimer, em setembro, com o objetivo de chamar atenção para pesquisas e novos tratamentos contra a doença.
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