Mais de mil casos de violência sexual foram documentados desde o início da guerra na Ucrânia, alertou nesta sexta-feira o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 80% dos episódios foram atribuídos ao lado russo.
“Estou profundamente alarmado com a prevalência desses atos atrozes (…) e temo que eles continuem (…) no contexto da violência implacável que testemunhamos diariamente na Ucrânia” disse o alto comissário Volker Türk, em um comunicado.
Segundo um relatório recente, baseado em entrevistas confidenciais com centenas de vítimas de abusos cometidos por ambos os lados, além de documentos judiciais e registros oficiais, foram documentados 1.004 casos de violência sexual entre 24 de fevereiro de 2022, quando começou a ofensiva russa contra a Ucrânia, e o fim de julho deste ano.
O número, porém, “representa apenas uma fração da realidade”, disse Danielle Bell, chefe da Missão de Observação dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, a jornalistas em Genebra.
Do total de casos registrados, 89% foram atribuídos ao lado russo, particularmente a membros das Forças Armadas, da administração penitenciária e dos serviços de segurança nacional. Os outros 11% foram atribuídos a ucranianos.
A maioria das vítimas são homens, especialmente nos centros de detenção. Mulheres e crianças também foram submetidas a esses abusos, principalmente nos territórios ucranianos ocupados.
Entre as violações documentadas pela ONU estão estupros coletivos e individuais, mutilação genital, choques elétricos e golpes nos genitais, além de outros atos degradantes de natureza sexual.
Retomada das negociações
No domingo, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que as negociações trilaterais para uma solução na guerra na Ucrânia, com mediação dos Estados Unidos, podem ser retomadas em outubro. Washington tenta reativar os esforços diplomáticos paralisados, na esperança de pôr fim a guerra. Como parte desse esforço, negociadores americanos visitaram Kiev e Moscou na semana passada, mas saíram sem avanços concretos.
Até então, os esforços diplomáticos estavam estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance. O fato é que, quase 1.700 dias depois de invadir a Ucrânia, Vladimir Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022.
No sábado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que estaria disposto a se reunir com Putin durante a cúpula do G20, agendada para dezembro, em Miami. No entanto, Peskov descartou essa possibilidade, reiterando a exigência de Moscou de que qualquer reunião só poderia ocorrer na capital russa.

