A Colômbia entrou em uma fase crítica, na qual diminuem as probabilidades de encontrar sobreviventes do potente terremoto que atingiu o país na segunda-feira, enquanto se multiplicam os acampamentos precários para atender milhares de pessoas que perderam suas casas. Máquinas pesadas começaram a remover escombros em locais onde já se descarta a possibilidade de haver sobreviventes após o terremoto de magnitude 7,4 que afetou o oeste do país.
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María del Carmen Rodríguez, de 72 anos, perdeu o apartamento pelo qual economizou durante toda a vida. Ela o observa de uma quadra de futebol onde agora passa as noites quentes ao lado do marido, de 76 anos.
“A gente se pergunta a que tipo de ajuda temos direito, se vão nos realocar para outro lugar, porque isso vai longe”, diz, com um café na mão.
Na manhã desta quinta-feira, completaram-se as primeiras 72 horas desde o terremoto, prazo a partir do qual as probabilidades de encontrar sobreviventes caem drasticamente. Mas voluntários e socorristas experientes trabalham até mesmo cavando com as próprias mãos em busca de um milagre. Nas áreas mais afetadas, já é possível sentir o cheiro de putrefação. A região cafeeira do país é outra das áreas mais atingidas. Em Pereira, um bombeiro acompanha de perto quando um grupo de voluntários afirma ter ouvido ruídos sob os escombros.
“Não vou tirar deles a emoção nem o fervor, porque milagres realmente existem, mas, a esta altura, é pouco provável encontrar pessoas vivas”, disse à AFP.
“Trauma coletivo”
A solidariedade amenizou as árduas jornadas de busca e ajudou a reduzir a escassez. Milhares de pessoas chegam aos bairros afetados com água, comida e medicamentos. Também são distribuídos abraços, como apoio emocional em meio à angústia.
“Estamos passando por um trauma coletivo e acho que a melhor maneira que eu também poderia ajudar era, bem, oferecendo a energia que tenho e a vitalidade que me resta”, disse Andrés Solomón, um músico de Cali, de 46 anos, com uma faixa que dizia: “abraços aqui”.
Os reencontros renovam a esperança. Vickye Giraldo sorri enquanto segura seu gatinho Polux, do lado de fora do prédio em ruínas onde costumava morar. Um grupo de voluntários o resgatou dos escombros.
“É um sonho que se tornou realidade”, diz a advogada de 56 anos.
Mas os tremores secundários e os danos estruturais complicam os trabalhos de resgate. Dezenas de pessoas retiram em malas roupas e tudo o que conseguem de suas casas danificadas. Javier Alzate recuperava os poucos pertences que haviam sido salvos de sua casa em Pereira, com a ajuda de um grupo de pessoas. O teto está prestes a desabar.
“Não há mais alternativa, é preciso tirá-las de lá porque, se chover, tudo estará perdido”, disse à AFP o psicólogo de 79 anos.
O terremoto também abalou cemitérios. Em um povoado próximo a Cali, os mortos saíram de seus túmulos. O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu três dias antes do terremoto, decretou “emergência econômica”, uma medida que lhe permite criar impostos e modificar o orçamento. Ele também anunciou a criação de um fundo com ajuda internacional para atender as vítimas.
Críticas ao governo
O terremoto teve epicentro perto de San José del Palmar, no Chocó, uma das regiões mais pobres do país. Ali, a fase de busca e resgate já terminou, mas são urgentes as ações de ajuda às pessoas afetadas. As autoridades pediram às guerrilhas que espalham o terror na região que permitam a entrada de alimentos, medicamentos e equipes do governo.
Em relação ao atendimento à emergência, o presidente de extrema direita foi questionado por estreitar relações com Israel em plena situação de emergência e por uma suposta recusa em receber ajuda humanitária de governos que se afastam de sua linha política.
A Colômbia aceitou apenas socorristas enviados pelos governos de direita dos Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel, mas o chanceler Omar Bula afirmou que o recebimento de ajuda não teve “nenhuma consideração ideológica ou política”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a Colômbia vetou o envio de socorristas militares mexicanos por falta de uma certificação.
“Eles são certificados, mas agora estão exigindo outra certificação”, disse.



