O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã — país localizado no Golfo Pérsico, na margem ocidental do Estreito de Ormuz — caso o país “se intrometa” no acordo perseguido pelos americanos com o Irã sobre a via navegável. A ameaça, nesta segunda-feira, ocorre em um momento em que os dois países do Oriente Médio estão envolvidos em negociações sobre o tráfego naval na região, que passa por águas reivindicadas como territoriais por ambos.
— Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los e destruí-los — afirmou Trump ao jornalista da Fox News Trey Yingst, referindo-se às negociações em andamento entre os dois países, enquanto os EUA perseguem um acerto distinto.
O fechamento da via naval afetou o abastecimento de petróleo em todo o mundo e se tornou um dos maiores ônus da guerra para Trump, que prometeu uma vitória rápida contra Teerã. O primeiro ataque, ainda em fevereiro, rompeu um processo diplomático entre os países que era mediado por Omã.
Passados meses de guerras, cada expectativa de avanço diplomático foi seguida de retrocesso. Um diálogo entre Washington e Teerã foi estabelecido via mediação do Paquistão, com outros atores da região, como Egito e Catar, participando de tentativas de aproximação. Em meio aos insucessos recentes, os iranianos lançaram uma iniciativa paralela e direta com Omã, a fim de fechar um acordo sobre rotas de navegação por Ormuz, contornando a vontade dos EUA.
No começo do mês, a chancelaria iraniana afirmou que um acordo estava sendo finalizado, com preparativos para gerenciar Ormuz de forma conjunta — um passo que poderia ser crucial para a reabertura da via energética global.
Autoridades iranianas e americanas disseram ao jornal americano New York Times que o acordo em negociação poderia ratificar o controle de Teerã sobre o que, antes da guerra, era uma via navegável internacional aberta — uma vantagem estratégica que não era utilizada pela nação persa antes da guerra — um desfecho que seria uma derrota pessoal para Trump. (Com AFP e NYT)

